Igrejas enfrentam governo britânico contra casamento igualitáio

David Cameron quer ir além de união civil, mas sofre com resistência religiosa.

Com The New York Times

Com o plano do premier David Cameron para legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o governo britânico ruma para um intenso conflito com líderes da Igreja Católica e Anglicana, afirma o jornal “The New York Times”.

Apenas dois dias antes do fim do prazo para respostas públicas ao plano, a Igreja da Inglaterra e bispos católicos insistiram, em comunicados públicos, que o casamento constitui somente a união de um homem com uma mulher. Cameron foi retratado como um ardente apoiador do casamento igualitário, que vai além das leis existentes há oito anos que abrangem a união civil entre lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.

A proposta para legalizar as uniões entre pessoas do mesmo sexo ameaça não apenas provocar uma briga com a Igreja e líderes muçulmanos como também dividir o Partido Conservador, de Cameron. Os conservadores já enfrentam problemas por causa de mudanças em suas políticas e acusações de que estariam próximos demais dos ricos e poderosos do Reino Unido. A ação também pode aprofundar as tensões internas da coalizão, já que Cameron disse que os legisladores do partido podem votar na proposta de acordo com sua consciência, enquanto o líder dos Liberais Democratas, Nick Clegg, quer que todos os representantes do partido no Parlamento aprovem a legislação proposta.

Na nota divulgada nesta terça-feira, a Igreja da Inglaterra afirmou: “O casamento traz benefícios para a sociedade de várias formas, não apenas ao promover reciprocidade e fidelidade, mas também pelo reconhecimento de uma complementaridade biológica básica que inclui, para muitos, a possibilidade da procriação. A lei não deve procurar mudar o caráter objetivo, essencial e distinguível de homens e mulheres. A Igreja apoia a remoção de desigualdades legais e materiais anteriores entre parceiros heterossexuais e do mesmo sexo. Mudar a natureza do casamento para todos não vai acrescentar novos ganhos legais àqueles que já possuem a união civil”.

O bispo de Sheffield, reverendo Steven Croft, disse que as propostas do governo representam uma “mudança muito, muito fundamental para uma instituição que tem estado no cerne de nossa sociedade por centenas de anos e que, para a Igreja, não são um problema de convenção social, mas de doutrina e ensinamentos cristãos”.

Já os bispos da Igreja Católica da Inglaterra e do País de Gales afirmaram, em comunicado: “Pelo interesse de preservar a exclusividade do casamento como uma instituição civil para o bem comum da sociedade, nós encorajamos fortemente que o governo não avance com as propostas legislativas que vão ‘permitir que todos os casais, independente de seu sexo, tenham uma cerimônia de casamento civil’”.

A postura assumida pelas instituições religiosas provocou uma resposta contundente de ativistas de direitos LGBTs. Ben Summerskill, chefe da Stonewall, acusou a Igreja da Inglaterra de orquestrar uma “aula em alarmismo melodramático”. Segundo ele, os líderes religiosos estão promovendo a crença de que “isso (a proposta) é, de alguma forma, o maior levante desde o saqueamento dos monastérios na Idade Média”.

Por causa da queda da participação dos britânicos nas Igrejas, apenas um de cada quatro casamentos feitos hoje em dia são conduzidos na igreja.

O problema do casamento igualitário é apenas uma das várias questões sobre gênero e sexualidade que envolvem a Igreja da Inglaterra. Lá, mulheres são aceitas como padres, mas ainda existe uma disputa para permitir que sejam ordenadas como bispos.

Segundo um integrante do governo britânico, as propostas de Cameron não forçariam os líderes religiosos a conduzir as cerimônias de casamento em locais de culto.

 
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