Jason Alexander, de ‘Seinfeld’, pede desculpas por piada com LGBTs

Ator, que interpretava George Costanza na aclamada série, publicou longa retratação em seu perfil no Twitter.

Do O Globo

Jason Alexander, o eterno George Costanza, de 'Seinfeld' (Foto: Reuters)Jason Alexander, o eterno George Costanza,
de 'Seinfeld' (Foto: Reuters)
Jason Alexander, mais conhecido por ter encarnado o excêntrico George Costanza na série "Seinfeld", causou polêmica ao dizer que o críquete é um "esporte gay". A piada duvidosa foi feita durante o "The late late show", com Craig Ferguson, na TV americana. No quadro, Alexander representou praticantes de críquete como homossexuais estereotipados. Ao ser questionado por fãs em seu Twitter, o ator primeiramente se defendeu acusando os seguidores de não ter senso de humor. Dias após o comentário, Alexander publicou um longo e profundo pedido de desculpas.

Segundo Alexander, o programa não tem roteiro. "Durante a apresentação, nós transitamos pelo tema dos esportes não-convencionais e, de repente, Craig mencionou algo sobre futebol e críquete. Eu não sou um comediante de stand-up. Comediantes deste tipo têm muito material testado para todo o tipo de ocasião. Eu, infelizmente, não", explicou-se o ator, que diz ter apenas feito algumas apresentações de humor ao vivo. Veja os pontos mais importantes da carta, publicada no perfil do ator no Twitter, neste domingo.

"Anos atrás, estava apresentando um show de comédia na Austrália, e um dos meus números consistia em falar sobre os esportes deles em comparação aos esportes americanos. Brinquei sobre a comparação do rugby com o futebol americano, porque o rugby é brutal. Em compensação, o outro grande esporte do país era o críquete, que parece muito delicado, e usei a expressão "um pouco gay". Isso acabou virando piada na Austrália, onde eles perceberam o quão pouco eu entendia de críquete que, na verdade, é um esporte muito, muito atlético. A piada foi bem recebida por lá", disse.

Pouco depois da apresentação americana, na semana passada, Jason percebeu que vários de seus seguidores eram LGBTs e ficaram ofendidos com a brincadeira. "Eu sinceramente não conseguia entender o porquê", contou. "O humor sempre aponta para as peculiaridades ou os absurdos evidentes em um grupo ou outro - baixos, gordos, carecas, louros, étnicos, inteligentes, burros, ricos, pobres etc. É difícil encontrar qualquer tipo de brincadeira que não soe ofensiva a alguém (...). Eu estava baseando o uso do termo 'gay' na generalização tola de que homens de verdade não fazem coisas gentis e refinadas. E meu retrato dos jogadores de críquete sugeria que efeminados e homossexuais eram sinônimos", continua.

"No entanto, fiquei preocupado com essas reações e perguntei a alguns dos meus amigos gays sobre o assunto. Não é que não possamos rir uns com os outros. Não é uma questão de hipersensibilidade. O problema é que hoje, enquanto escrevo isso, jovens, homens e mulheres cujos comportamentos, escolhas e atitudes não são considerados 'másculas o suficiente' ou 'normais' estão sendo submetidos a todos os tipos de abuso verbal e físico em nossa sociedade. Eles estão sendo humilhados e ameaçados".

"Para essas pessoas, minha piada era baseada em um estereótipo pejorativo que eles são obrigados a encarar diariamente. É o cerne de todo este mundo feio de bullying que tem recebido uma justa, porém atrasada, atenção da mídia (...). A pior parte disso tudo é: eu deveria saber melhor. Minha vida pessoal e profissional está cheia de homens e mulheres gays. Estou profundamente consciente dos desafios destes meus amigos e sempre os defendi. Além disso, em escala menor, vivi um pouco de suas experiências. Cresci na década de 1970 em uma cidade que reverenciava atletas, enquanto eu estava ouvindo meus discos, estudando canto e dança e gastando todo o meu tempo livre no palco. Muitos destes mesmos insultos e zombarias dirigidas a jovens gays foram ditos a mim e, algumas vezes, fui recebido com violência ou ameaças".

"Não era minha intenção fazer as pessoas se sentirem ainda mais isoladas, incompreendidas ou mesmo magoadas - por favor, saibam que não era minha intenção. Espero um dia viver numa sociedade em que aceitemos uns aos outros a ponto de podermos rir de piadas como essa e sabermos que não são maldade ou malícia. Mas não estamos lá ainda. Então, só posso pedir desculpas e é o que eu faço. Na comédia, tempo é tudo. E quando um grupo de pessoas ainda está lutando bravamente por compreensão, aceitação, dignidade e direitos essenciais, o tempo para alguns tipos de piada ainda não chegou. Espero que minha conclusão traga algum conforto. Obrigado, Jason".
 
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