SP: Caminhada contra homofobia lembra homicídio de jovem em Piracicaba

ONG Casvi organizou passeata nesta 6ª e protestou contra o assassinato.
"Os crimes contra LGBTs estão crescendo na cidade", disse o coordenador.


Por Eduardo Guidini
Ato público organizado pela ONG uniu cerca de 40 pessoas na sexta-feira (Foto: Eduardo Guidini)Ato público organizado pela ONG uniu cerca de 40 pessoas na sexta-feira (Foto: Eduardo Guidini)
O Centro de Apoio e Solidariedada à Vida (Casvi), organização não governamental (ONG) de Piracicaba (SP), realizou nesta sexta-feira (29) uma caminhada em comemoração ao Dia Mundial do Orgulho LGBT, que foi celebrado na quinta-feira (28). Segundo o coordenador geral da entidade, Anselmo Figueiredo, o ato público foi feito após confirmação de que o jovem de 19 anos, encontrado desfigurado e morto em um matagal no dia 15 de junho, foi vítima de homofobia.

A ONG Casvi afirmou, nesta quinta-feira, que o morador do Jardim Oriente morto apedrejado foi vítima de homofobia. Cerca de 40 pessoas participaram da caminhada que partiu do Mercado Municipal até a praça José Bonifácio.

"Os objetivos do ato público são celebrar o Dia Mundial do Orgulho LGBT, mas, principalmente, protestar contra o assassinato ocorrido há duas semanas. Foi um crime homofóbico", explicou Figueiredo. "Os crimes de homofobia estão aumentando em Piracicaba. Nós precisamos de políticas públicas que possam ajudar a diminuir esses números", afirmou.

Figueiredo ainda criticou os governos federal e municipal. "Nossa atual presidente não está dando continuidade nos projetos desenvolvidos pelo governo anterior. Ainda não temos em Piracicaba nenhuma política pública que de fato dê conta de acolher as demandas relacionadas à homofobia no nosso município", opinou o coordenador.

Faixas e cartazes de protesto foram usados pelos organizadores do Casvi (Foto: Eduardo Guidini)Faixas e cartazes de protesto foram usados pelos organizadores do Casvi (Foto: Eduardo Guidini)
Para o astrólogo Michel Cervelló, de 51 anos, falta boa vontade do poder público e apoio às causas LGBT. "Precisamos de uma estatística confiável de crimes contra homossexuais. Não temos isso e faz muita falta. A gente sabe que esses crimes estão aumentando, mas sem ter os dados em mãos fica complicado para melhorar a situação", disse o Carvelló, que também é voluntário no Casvi.

Ele ainda aponta as dificuldades de se identificar os crimes na polícia. "Ainda temos muita dificuldade até mesmo para divulgar casos de homofobia explícita, pois estes homicídios nunca são registrados ou divulgados pela imprensa como homofóbicos. Acabam passando despercebidos, pois caem na invisibilidade e no esquecimento", completou Cervelló.

A passeata foi acompanhada por pessoas que passavam em frente ao Mercado Municipal, na Rua Governador Pedro de Toledo. A funcionária pública Michele Arzini, de 37 anos, concordou com o ato público. "Acho muito válido, pois as pessoas precisam ser respeitadas de qualquer forma. Os crimes contra homossexuais são cada vez mais chocantes, então, eu acho que todo mundo tem que protestar mesmo", disse Michele.

Passeata saiu do Mercado Municipal tendo como destino a Praça José Bonifácio (Foto: Eduardo Guidini)Passeata saiu do Mercado Municipal tendo como destino a Praça José Bonifácio (Foto: Eduardo Guidini)

 
Encontre-nos no Google+