Técnico de esperança brasileira na ginástica diz que homofobia atrapalha crescimento do esporte

Por Gustavo Franceschini
Resultados de Arthur Zanetti não foram suficientes para a ginástica crescer em São Caetano, onde treina (Foto: Toru Hanai/Reuters)Resultados de Arthur Zanetti não foram suficientes para a ginástica crescer em São Caetano, onde treina (Foto: Toru Hanai/Reuters)
Arthur Zanetti tem resultados consistentes e é uma das principais esperanças de medalha nos Jogos Olímpicos de Londres. Seu sucesso, no entanto, não faz crescer o número de crianças interessadas em praticar ginástica artística em São Caetano, onde ele treina diariamente. Para Marcos Goto, seu técnico, o esporte ainda sofre com a homofobia dos pais de garotos dispostos a se arriscar em saltos e acrobacias em diferentes aparelhos.

“O pessoal ainda é muito preconceituoso e pensa: ‘se meu filho fizer ginástica ele vai virar mulher’. Não faz sentido. Você vai em competições na Europa e vê 200 homens e 100 mulheres. É um esporte muito praticado por garotos”, disse Marcos Goto, em entrevista.

Ele é técnico e mentor de Arthur Zanetti, que aos 22 anos é favorito à conquista de uma medalha em Londres nas argolas, prova na qual é o atual vice-campeão mundial. Seu início no esporte foi sob a supervisão de Marcos, que até hoje o comanda em um clube de São Caetano que funciona como uma escolinha financiada em conjunto por pais e prefeitura.

Marcos Goto entende que a popularização da ginástica ainda esbarra na homofobia dos pais  (Foto: Reprodução)Marcos Goto entende que a popularização da
ginástica ainda esbarra na homofobia dos pais
Francisco Barreto, companheiro de treinos e de seleção de Arthur, reconhece que Goto tem razão, mas aponta um outro motivo para a baixa procura de meninos pela ginástica. "Acho que tem isso sim, mas para mim nem é o principal. É um esporte que exige muita força e lesiona muito. Então os pais se assustam quando a criança chega em casa com um braço quebrado", diz o atleta, que está formando em educação física. Arthur Zanetti, por sua vez, não dá vazão ao assunto e diz nunca ter sofrido preconceito na carreira.

Ele parece menos preocupado com o número de crianças que com o de jornalistas no ginásio. Toda quinta-feira, Arthur recebe repórteres para falar sobre sua vida e suas chances em Londres. Ele não parece ficar muito à vontade em meio a tantas perguntas, mas é solícito até com fotógrafos e cinegrafistas que pedem para que ele faça poses no aparelho para que as reportagens possam ser ilustradas.

“Tem de controlar isso daí. Porque se deixar ele passa uma hora de ponta cabeça para alguém tirar foto e amanhã não consegue treinar direito”, explica Marcos, que acompanha cada entrevista à distância, tentando medir cada exagero.

Arthur não reclama, já que até o ano passado ele sequer fazia parte do Bolsa-Atleta. Neste ano, além do programa do Governo Federal que lhe garante um salário mensal, ele ainda conseguiu um patrocínio pessoal da Sadia. Tudo pela visibilidade que adquiriu com seus resultados.

Há uma semana e meia, ele conseguiu tirar 15.925 em uma etapa da Copa do Mundo em Ghent, na Bélgica, pontuação que pode lhe dar o ouro nas Olimpíadas e teria garantido o Mundial do ano passado. Seu grande rival é Chen Yibing, chinês que ganhou dois ouros em Pequim e é o capitão da seleção de ginástica de seu país, a mais forte do mundo. Mesmo com um adversário tão forte, ele sabe que pode ser muito cobrado caso não corresponda às expectativas, como aconteceu em 2008 com Diego Hypolito, muito defendido por Arthur.

“É complicado. Quando apostam muito pode acontecer o que aconteceu com ele e acabam caindo bastante em cima. Dar opinião é muito fácil. Mas eu sempre tento me colocar no meu lugar. Não sou favorito. Vou tentar fazer a minha melhor prova e conseguir o melhor resultado”, resume o ginasta.

 
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