Uganda bane ONGs acusadas de promover a homossexualidade

Mais de 30 organizações tiveram registros cassados; homossexualidade é ilegal no país.

COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Ativistas fazem protesto contra projeto de lei que prevê penas mais duras contra LGBTs  (Foto: AP)Ativistas fazem protesto contra projeto de lei que prevê penas mais duras contra LGBTs (Foto: AP)
O governo de Uganda baniu nesta quarta-feira 38 organizações não governamentais acusadas de promover a homossexualidade e atrair crianças para a causa, em mais uma medida que deve despertar polêmica entre a comunidade internacional. Segundo o ministro de Ética do país, Simon Lokodo, as organizações recebem apoio do exterior e planejam “recrutar e incentivar crianças à homossexualidade”.

"As ONGs são canais pelos quais verbas são enviadas para a promoção do homossexualismo. Tenho o registro de encontros de grupos que planejavam reforçar e aprimorar técnicas de recrutamento" alega o ministro, um ex-religioso católico, que não identificou as organizações atingidas pela decisão do governo.

Em Uganda, e em outros 30 países da África, a homossexualidade é considerado uma ação ilegal e poucos africanos têm coragem de admitir sua condição sexual, temendo ser presos, perder o emprego ou ser alvo de violência.

Um projeto de lei que prevê penas mais duras contra homossexuais e que criminaliza a promoção da homossexualidade, incluindo apoio financeiro a eles, está para ser votado no Parlamento de Uganda. Antes de ser reformulado, o texto previa pena de morte para infratores reincidentes, assim como condenações de prisão perpétua. Tais imposições foram derrubadas após duras que críticas da comunidade internacional e ameaças de cortes na ajuda externa.

Ministro cancela conferência sobre direitos e polícia prende ativistas
Na segunda-feira, Lokodo ordenou o cancelamento de uma conferência sobre os direitos LGBTs que seria realizada em um hotel nos arredores da capital, Kampala. Agentes de segurança isolaram o local por várias horas e prenderam ativistas LGBTs em toda a região.

"Eles disseram que estavam investigando uma ameaça à segurança do local" disse Pepe Julian Onziema, um ativista pelas minorias sexuais em Uganda que participou do encontro. "O ministro está tentando nos intimidar".

Cerca de 15 ativistas de Uganda, Ruanda, Quênia e Tanzânia foram levados à delegacia local para prestar depoimento, mas depois foram liberados sem acusações.

Mohammad Ndifuna, diretor da ONG Human Rights Network Uganda, uma das instituições que teve o registro cassado pelo Ministério da Ética, disse que as ameaças de Lokodo são parte de um grande ataque à sociedade civil, que não tem como alvo somente ativistas pelos direitos LGBTs.

"Nós sabemos que têm emergido todos os tipos de ameaças contra ONGs de diferentes setores da sociedade e por diferentes razões" afirmou.

 
Encontre-nos no Google+