Brasil teve 165 LGBTs assassinados este ano, diz Grupo Gay da Bahia

Estatística cresce 28% em relação ao primeiro semestre de 2011. São Paulo tem mais casos.

Por BIAGGIO TALENTO
Paraíba é o estado mais homofóbico do Brasil proporcionalmente (Foto: Getty Images)Paraíba é o estado mais homofóbico do Brasil proporcionalmente (Foto: Getty Images)
Já chega a 165 o número de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais assassinados no Brasil no primeiro semestre deste ano, revela levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), a mais antiga entidade de defesa dos direitos LGBTs do país. O número é 28% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Em valores absolutos, São Paulo tem a maior ocorrência de mortes (19) entre os estados onde elas são mais frequentes. Depois, seguem-se Paraíba (15), Bahia (14), Paraná e Piauí (dez casos cada um) e Rio de Janeiro (9). O GGB não obteve informações sobre Roraima e Acre.

Segundo avaliação da entidade, a Paraíba seria o estado mais homofóbico do Brasil por ter uma população dez vezes menor do que São Paulo e, no entanto, ter registrado 15 assassinatos. A Região Nordeste é considerada a mais perigosa para LGBTs por concentrar 1/4 dos “homocídios” (sic), como grafa o GGB no levantamento.

No dia 24 de junho, José Leonardo da Silva, de 22 anos, foi agredido e morto por um grupo homofóbico, em Camaçari (BA), depois de ter sido identificado como gay por ter saído de uma festa abraçado ao irmão.

Ainda de acordo com o relatório, os crimes de ódio, em sua maioria, vitimaram gays. Foram, 52% do total das 165 mortes. Em seguida, vêm as travestis, 41% das vítimas.

Em trecho do relatório, está citado que, proporcionalmente, travestis e transexuais representam o grupo mais vulnerável, pois não chegam a um milhão de pessoas, quando os gays ultrapassam 20 milhões. Foram mortos 65 transexuais, contra 85 gays. “O risco de as travestis serem assassinadas é 15 vezes maior do que os gays”, ressalta o texto.

O antropólogo paulista Luiz Mott, fundador do GGB e coordenador da pesquisa afirma que os assassinatos refletem sempre grave discriminação anti-homossexual.

“Devem ser considerados crimes de ódio, motivados pela homofobia cultural que encara os gays e travestis como delinquentes. Prova disso é que são mortos mais travestis do que mulheres prostitutas, cumprindo-se à risca ditado homofóbico repetido de Norte a Sul: 'Viado tem mais é que morrer!'”

Mott explicou que a entidade faz o levantamento dos crimes homofóbicos porque o governo não o faz. Pela mesma razão, acrescenta, o GGB criou um novo site, “Quem a homofobia matou hoje”, http://homofobiamata.wordpress.com/, que recebe informações e denúncias sobre violência contra LGBTs.

Mott e os responsáveis pelo site denunciam uma suposta homofobia governamental. Ele acrescenta que a sociedade civil organizada está prestando um serviço que é obrigação do governo:

O advogado Dudu Michels, responsável pela manutenção do banco de dados do site, lembrou que o Planalto já foi ameaçado de ser denunciado à Comissão de Direitos Humanos da OEA por sua incapacidade de documentar tais crimes e pela ausência de políticas públicas eficientes para tirar o Brasil do primeiro lugar no ranking de assassinatos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT).

 
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