Segundo Unaids, Brasil é referência no diagnóstico e tratamento da Aids

Saiba como é possível buscar acompanhamento para combater a doença.

Do Gay1
Diagnóstico precoce é essencial para o tratamento da Aids (Foto: Divulgação de TV)Diagnóstico precoce é essencial para o tratamento da Aids (Foto: Divulgação de TV)
Em novembro de 2011, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) destacou o modelo brasileiro de prevenção ao HIV e assistência aos portadores de Aids como um dos melhores do mundo. Segundo a Unaids, órgão criado em 1996 para integrar o programa das Nações Unidas no que diz respeito ao desenvolvimento de soluções e ajuda a nações no combate à doença, a constatação é reflexo dos investimentos feitos pelo país no controle da Aids, que compreende a ordem de R$ 850 milhões por ano somente para a compra de medicamentos.

Conforme dados do Ministério da Saúde, ainda na década de 1980, quando surgiram no mercado os primeiros medicamentos para o combate à doença, o Brasil iniciou a oferta de tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Há 15 anos, o serviço é oferecido de forma universal, beneficiando cerca de 210 mil pessoas. Segundo levantamento do Ministério, atualmente, o SUS oferece tratamento antirretroviral a 97% dos brasileiros diagnosticados com Aids. Além disso, o governo disponibiliza, de forma gratuita, 20 tipos de antirretrovirais para os portadores do vírus HIV.

Como explica Helena Bernal, infectologista do Ministério da Saúde, um dos maiores problemas com relação ao tratamento é o diagnóstico tardio. “As pessoas costumam procurar o diagnóstico em um estágio avançado da doença, em que já há comprometimento do sistema imunológico. Para diminuir esse tipo de comportamento, o governo lança campanhas, como o ‘Fique Sabendo’, estimulando que as pessoas, independente de idade, ou orientação sexual, realizem o teste. Fazemos esse tipo de ação em grandes eventos, como o Carnaval, festivais de música, Paradas do Orgulho LGBT, incluindo o Dia Mundial de Combate a Aids, realizado no dia 1º de dezembro, entre outros. Nesses casos, oferecendo a testagem de forma rápida e gratuita, com acompanhamento pré e pós-teste. O objetivo é ampliar o diagnóstico do HIV”, explica a infectologista.

O Ministério da Saúde recomenda o teste para as pessoas que passaram por condições de vulnerabilidade, como relações sexuais sem preservativos, e/ou compartilhamento de seringas. O diagnóstico da infecção pelo HIV é feito a partir da coleta de sangue. No Brasil, são feitos exames laboratoriais e os testes rápidos, colhendo uma gota de sangue da ponta do dedo, que detectam os anticorpos contra o vírus da Aids em até 30 minutos.

Os testes são realizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), nas unidades da rede pública e nos Centros de Testagem e Aconselhamento (confira os locais onde os testes são realizados), e podem ser feitos de forma anônima. Além da coleta do sangue, existe um processo de aconselhamento feito antes e depois do teste, cujo objetivo é o de facilitar a correta interpretação do resultado pelo paciente. É possível também saber onde fazer o teste pelo Disque Saúde, no telefone 136, lembrando que a infecção pelo HIV pode ser detectada com, pelo menos, 30 dias a contar a partir da data da condição de vulnerabilidade. Isso porque o exame, seja ele laboratorial, ou teste rápido, busca por anticorpos contra o HIV no sangue. Esse período é chamado de janela imunológica.

Coquetel para o tratamento da Aids inclui mais de 20 medicamentos (Foto: Reprodução de TV)Coquetel para o tratamento da Aids inclui mais de 20 medicamentos (Foto: Reprodução de TV)
Sobre o tratamento
Mundialmente, existem diversas diretrizes para o tratamento da Aids. Segundo explica Helena Bernal, o Brasil adota a mesma diretriz britânica, por exemplo, que realiza o tratamento conforme o tipo da doença e a sua manifestação. A fase sintomática inicial da doença é caracterizada pela alta redução dos linfócitos T CD4, os glóbulos brancos do sistema imunológico, que chegam a ficar abaixo de 200 unidades por milímetro cúbico (mm³) de sangue. Em adultos saudáveis, esse valor varia entre 800 a 1.200 unidades. Na fase aguda, os sintomas mais comuns são febre, diarreia, suores noturnos e emagrecimento.

“Nos Estados Unidos, há a tendência de diagnosticar e realizar o tratamento independente da condição da doença. Nosso consenso é o de tratar, no caso de pacientes assintomáticos, aqueles que apresentem taxa menor do que 350 linfócitos T CD4 por mm³ de sangue. Ainda nesse grupo, tratamos também alguns subgrupos que apresentem na corrente sanguínea valores menores do que 500 linfócitos T CD4 por mm³, incluindo pacientes infectados pelos vírus das hepatites C e D, pessoas com idade avançada, carga viral elevada, ou com doenças cardíacas, por exemplo. No caso dos sintomáticos, todos são tratados”, cita Helena.

O Brasil distribui gratuitamente, desde 1996, o coquetel antiaids para todos que precisem ser tratados. Conforme divulgado pelo Ministério da Saúde, aproximadamente 200 mil pessoas recebem regularmente as medicações para realizar o tratamento da doença. Depois de receber o diagnóstico da infecção por HIV, o paciente deve marcar uma consulta com um especialista em Aids, no Serviço de Assistência Especializada (SAE). Na primeira consulta, além de procurar saber o histórico do paciente, o médico deverá pedir exames, incluindo hemograma completo, urina, fezes, glicose, colesterol e triglicérides, raios-X de tórax, hepatite B e C, tuberculose, e testes de contagem dos linfócitos T CD4 e o de carga viral.

Conforme o resultado dos exames clínicos e laboratoriais, pode ser necessário que o soropositivo comece a terapia antirretroviral, que é o tratamento com medicamentos. “O Serviço de Assistência Especializada é composta por uma equipe multidisciplinar, incluindo psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, enfermeiros e farmacêuticos. O objetivo é garantir um atendimento integral ao paciente com Aids”, lembra Helena.

Atualmente, o coquetel engloba 21 medicamentos, que são divididos em cinco tipos. Entretanto, para combater o HIV, é necessário utilizar ao menos três antirretrovirais combinados, sendo dois medicamentos de classes diferentes, que poderão ser combinados em um só comprimido, lembrando que o tratamento é complexo, necessitando de acompanhamento médico para avaliar as adaptações do organismo, seus efeitos colaterais e as possíveis dificuldades em seguir corretamente as recomendações médicas, ou seja, aderir ao tratamento. Entenda abaixo como funciona cada medicamento, segundo dados do Ministério da Saúde.

Classes de medicamentos antirretrovirais
(Fonte: Ministério da Saúde)

Inibidores Nucleosídeos da Transcriptase Reversa: atuam na enzima Transcriptase Reversa, incorporando-se à cadeia de DNA que o vírus cria. Tornam essa cadeia defeituosa, impedindo que o vírus se reproduza.
Medicações: Abacavir, Didanosina, Estavudina, Lamivudina, Tenofovir, Zidovudina e a combinação Lamivudina/Zidovudina.

Inibidores não Nucleosídeos da Transcriptase Reversa: bloqueiam diretamente a ação da enzima e a multiplicação do vírus.
Medicamentos: Efavirenz, Nevirapina e Etravirina.

Inibidores de Protease: atuam na enzima protease, bloqueando sua ação e impedindo a produção de novas cópias de células infectadas com HIV.
Medicamentos: Atazanavir, Darunavir, Fosamprenavir, Indinavir, Lopinavir/r, Nelfinavir, Ritonavir, Saquinavir e Tipranavir.

Inibidores de fusão: impedem a entrada do vírus na célula e, por isso, ele não pode se reproduzir.
Medicamento: Enfuvirtida.

Inibidores da Integrase: bloqueiam a atividade da enzima integrase, responsável pela inserção do DNA do HIV ao DNA humano (código genético da célula). Assim, inibe a replicação do vírus e sua capacidade de infectar novas células.
Medicação: Raltegravir.

 
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