Evento em Belém discute direitos sexuais e homofobia

Conferência propõe discussão a partir da Antropologia e do Direito.
Em 2012, dez pessoas já teriam sido assassinadas por preconceito.


Do G1 PA
Apesar de conquistas, população LGBT ainda enfrenta muitos desafios (Foto: Reprodução EPTV)Apesar de conquistas, população LGBT ainda enfrenta muitos desafios (Foto: Reprodução EPTV)
Nome social, casamento homoafetivo, boletins de ocorrência que registram a orientação sexual das vítimas. Esses são alguns dos direitos e políticas públicas recentemente conquistadas pela população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) no Pará. Para discutir esses avanços e ainda as questões que precisam de melhorias, a Universidade Federal do Pará (UFPA) promove uma conferência sobre “Direitos Sexuais e Homofobia” no dia 14 de setembro, a partir das 9h30, no Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ) da Instituição, em Belém. A programação é gratuita e não há inscrições prévias para o evento.

O evento conta com a presença de Roger Raupp Rios, que, além de juiz federal, é pesquisador da Pós-Graduação em Direito da UniRitter Laureate International Universities, e pretende debater as questões sobre os direitos sexuais e pontuar os desafios vivenciados pela população LGBT, a partir do ponto de vista das áreas de Direito e Antropologia.

Para a professora da Faculdade de Direito da UFPA, Cristina Terezo, que organiza o evento, a discussão desses assuntos é fundamental em vista das recentes decisões tomadas sobre a união homoafetiva e dos impasses na garantia efetiva dos direitos sexuais.

Segundo Simmy Larrat, representante do Grupo de Resistência de Travestis e Transexuais da Amazônia (Gretta), é fundamental a realização de debates em torno da orientação sexual e gênero, principalmente em ambientes acadêmicos. “Ainda sentimos uma carência de estudos acerca do assunto e é necessário a Academia olhar mais para essa realidade e fomentar discussões científicas sobre a sexualidade”, acredita Simmy. O Movimento Gretta é uma rede que reúne todos os grupos do estado, que atualmente é formado por 36 grupos.

Em junho, dezoito casais do mesmo sexo disseram o 'sim' no primeiro casamento igualitário do estado (Foto: Igor Mota/ Amazônia Jornal)Em junho, dezoito casais do mesmo sexo disseram o 'sim' no primeiro casamento igualitário do estado (Foto: Igor Mota/ Amazônia Jornal)
Números da violência
“A situação atual dos homossexuais no Estado é a mesma de séculos. São pessoas excluídas e oprimidas. A imensa maioria está fora da escola e vive um processo de exclusão iniciado dentro de suas próprias casas, ou seja, uma realidade que não difere da do restante do País”, afirma Simmy Larrat.

Entretanto, recentemente no Pará, LGBTs obtiveram algumas conquistas, como a criação de políticas públicas e a criação de uma delegacia para crimes homofóbicos, que entrará em funcionamento ainda neste mês de setembro, de acordo com o governo do Estado.

Segundo o Grupo de Resistência de Travestis e Transexuais da Amazônia (Gretta), em 2010, foram registrados dez casos de homofobia. Já em 2011, foram registradas 22 vítimas fatais. Este ano, já chegam a dez os casos de violência extrema contra vítimas LGBT. “Tudo isto comprova que a sociedade está respondendo de maneira violenta às conquistas homossexuais”, defende Simmy Larrat.

Serviço:
Conferência Direitos Sexuais e Homofobia
Período: 14 de setembro
Local: Auditório Aílton Correa, no Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ)
A programação é gratuita e não há inscrições prévias para o evento.

 
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