Movimento LGBT no Rio entra na eleição dividido entre Paes e Freixo

Por Felipe Martins
O candidato do PSOL à Prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo (à dir), abraça o deputado federal Jean Wyllys (à esq) durante caminhada na orla de Ipanema (zona sul), neste domingo (26) (Foto: Marcelo Fonseca/Brazil Photo Press/AE)O candidato do PSOL à Prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo (à dir), abraça o deputado federal Jean Wyllys (à esq) durante caminhada na orla de Ipanema (zona sul), neste domingo (26) (Foto: Marcelo Fonseca/Brazil Photo Press/AE)
Lideranças do movimento LGBT no Rio de Janeiro estão divididas nestas eleições. Enquanto em 2008 ativistas se uniram em torno da candidatura do então candidato Eduardo Paes, quatro anos depois acontece a polarização entre a candidatura à reeleição do prefeito e a do candidato de oposição, Marcelo Freixo (PSOL).

Como em 2008, o presidente do Grupo Arco-Íris, Julio Moreira, apoia a candidatura de Eduardo Paes, mas faz ressalvas. Ele afirmou a criação da Ceds (Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual) na gestão do atual prefeito, mas cobrou um orçamento próprio para o órgão.

“O Paes ainda trata o tema LGBT com dedos, mas implementou uma coordenadoria e fez andar algumas políticas públicas reivindicadas pelo movimento”, disse Moreira. “A Ceds precisa ter orçamento próprio para gerir políticas públicas e ajudar o movimento LGBT carioca”, afirmou.

Para o presidente do Arco-Íris, Eduardo Paes --se alcançar um segundo mandato-- precisa avançar em iniciativas que, segundo Moreira, foram tratadas de maneira “tímida” na atual administração.

"Precisa ser criado o Conselho Municipal LGBT com poder deliberativo. Hoje existe um comitê que só serve para a gente fazer claque, não delibera nada, não faz controle social. Precisa avançar um trabalho de formação com os professores da rede pública para sensibilizar sobre o bullying homofóbico, que está sendo feito, mas de forma tímida ainda", disse Moreira.

Apesar das críticas, ele afirmou que a aliança construída em torno do candidato do PMDB é fator importante para que as causas do movimento LGBT tenham força.

“O fato de o Paes estar aliado com a política dos governos federal e estadual é um fator relevante, isso já adianta muito às coisas andarem. Adoro o Freixo, gosto de suas propostas. Mas ele diz que se eleito vai desamarrar os nós. Como? Sem acordos? Acho difícil ele ser eleito e, se for, fazer com que a máquina ande”, disse o presidente da ONG.

Moreira pede ainda mais dinheiro para a Parada do Orgulho LGBT, organizada anualmente pela ONG que preside. “Não é justo que a 'Marcha de Jesus' receba 2,4 milhões da prefeitura e a Parada 1/4 disso. A própria Rio Tur afirma que a Parada é o terceiro maior evento da cidade, estando atrás do Carnaval e do Reveillon”, ressaltou.

Oposição
Importante liderança do movimento LGBT no Rio, Gilmar Santos da Cunha, presidente da ONG Conexão G, atuante em ações de cidadania para moradores de favelas, decidiu apoiar o candidato do PSOL, Marcelo Freixo. Contudo, fez elogios ao trabalho da Ceds durante a gestão do atual prefeito.

“Foi um bom avanço para a prefeitura do Rio de Janeiro e considero que essa coordenaria tem tido um papel prático e importante para as ONGs LGBT. Acredito que é um espaço pensando e construído pelo povo. Sua política é de fato pensada na integralidade”, disse Cunha.

 
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