Suplente de Marta é contra projeto dela sobre união entre pessoas do mesmo sexo

"Para mim homem é homem e mulher é mulher", diz Antonio Carlos Rodrigues, que é contra os diretos de LGBTs.

Com Agência Estado
O vereador-senador Antonio Carlos Rodrigues (Foto: Paulo Pinto/AE)O vereador-senador Antonio Carlos Rodrigues
(Foto: Paulo Pinto/AE)
Ligado a 22 paróquias da Igreja Católica na zona sul, o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR), suplente que vai assumir a vaga de Marta Suplicy (PT) no Senado, é contra o casamento igualitário e o aborto. "Vou seguir sempre as posições da Igreja Católica nas votações. Para mim homem é homem e mulher é mulher. Também sou contrário ao aborto e à eutanásia", afirmou nesta quarta-feira o vereador paulistano, após uma sessão na Câmara Municipal marcada pelas homenagens dos colegas ao novo senador por São Paulo.

A proposta que inclui no Código Civil a união civil de pessoas do mesmo sexo, já reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, é da própria Marta. Rodrigues, de 62 anos, já adiantou que vai fazer oposição ao casamento igualitário. "Sem dúvida nenhuma vou sempre acompanhar o que a Igreja falar. Sou um católico praticante. Sempre fui contra o casamento de pessoas de sexo igual, não tenho preocupação em perder voto por causa disso", argumentou. Ele também vai manter sua campanha a vereador na capital.

O cargo foi cedido a Rodrigues após Marta ser nomeada ministra da Cultura. Indiferente à composição política dentro do PT, Carlinhos, como é conhecido, disse que vai votar no Senado de acordo com suas "convicções religiosas". "Vocês vão ouvir falar muito de mim, podem esperar. Já estou pleiteando uma vaga na Comissão de Constituição e Justiça para a minha bancada."

“Evangélico e homofóbico”
Marta foi flagrada por um fotógrafo do Correio Braziliense mostrando à colega Lídice da Mata um e-mail que chamava seu suplente, o evangélico Antônio Carlos Rodrigues (PR-SP), de “evangélico e homofóbico”.

Marta é relatora no Senado do projeto anti-homofobia. Na reportagem, Lídice conta que o e-mail foi enviado a Marta por um grupo defensor de direitos LGBT que estava preocupado com o fato de Antônio Carlos assumir a relatoria da matéria com a saída de Marta para o Ministério da Cultura.

Segundo Lídice disse ao jornal, Marta pediu a ela que assumisse a relatoria do projeto no lugar do suplente. Pelo visto, a fama de “evangélico e homofóbico” incomodou Marta.

O novo senador, Antônio Carlos, insiste em dizer que não está fora da campanha do candidato José Serra (PSDB), apesar de seu material de campanha não fazer menção ao tucano. "Peço voto pro Serra, sim. O maior evento dele até agora fui eu quem fez, no Campo Limpo. Falo com ele toda semana, pode perguntar pro Edson Aparecido. Vou cumprir meu compromisso na campanha municipal e depois vou para o Senado acompanhar o Executivo nas votações", afirmou.

Carlinhos entra de licença amanhã, por 23 dias. Depois, a partir de 8 de outubro, o vereador entra em licença definitiva para assumir o Senado. Em seu lugar na Câmara assume o suplente José Carlos de Oliveira (DEM). "Vocês vão ver o que eu vou fazer pela minha região lá no Senado. Vou ser um vereador-senador", disse.

 
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