SP: Travesti eleita vereadora de Piracicaba é ameaçada de morte caso assuma mandato

Líder comunitária, de 57 anos de idade, recebeu 3.035 votos.

Do Gay1 SP, com Jornal de Piracicaba
Madalena pretende ampliar a atuação social como vereadora (Foto: Divulgação)Madalena pretende ampliar a atuação social como vereadora (Foto: Divulgação)
Eleita vereadora de Piracicaba no dia 7 de outubro, a travesti Madalena, 57, foi até a polícia na terça (16/10) denunciar ameaças de morte. Os telefonemas à casa da líder comunitária começaram no dia 8 e na segunda (15/10) indivíduos num carro não identificado a fotografaram enquanto caminhava na rua.

Acompanhada de diretores da Câmara de Vereadores, ela fez um Boletim de Ocorrência no 5º DP (Distrito Policial). A polícia investiga o caso para identificar os autores.

A primeira ligação foi na segunda- feira, 8. “Ligaram na minha casa às 4h15, eu estava dormindo e quando atendi falaram ‘você pensa que vai assumir a cadeira no dia 1º de janeiro? Você não vai não’. Quis saber quem era, a pessoa não disse e começou a xingar, falar barbaridades mesmo. Eu comecei a chorar e desliguei. Tocou novamente e, quando atendi, falaram ‘você toma muito cuidado que nós não estamos brincando, estamos falando sério. Sabemos a hora que você sai do serviço, a hora que chega’, e falando barbaridades”, relatou Madalena, que também recebeu telefonemas na madrugada e no fim da tarde do dia 9.

Embora as investigações da polícia ainda nem tenham começado, a hipótese de que as ameaças tenham motivação homofóbica foi descartada pela vereadora, que acredita em crime político. “Me disseram ao telefone: ‘ninguém concorda com o número (de votos) que você teve, e os outros com um número baixo’. Acho que é alguém que foi candidato a vereador e perdeu para mim, ou candidato que entrou com pouco voto. Um vizinho comentou que havia um boato na Rua do Porto de que não me deixariam assumir”, afirmou a vereadora, eleita com 3.035 votos pelo PSDB.

Madalena disse que estava conversando com uma amiga na rua Governador Pedro de Toledo na tarde de segunda quando foi fotografada por pessoas num carro. A partir daí, decidiu procurar uma amiga e, depois, recorreu à Câmara de Vereadores, que disponibilizou todos os diretores para atendê-la.

O diretor jurídico da casa, Robson Soares, recomendou que a líder comunitária registrasse o Boletim de Ocorrência e a levou à delegacia ao lado do diretor de cerimonial, Evandro Evangelista.

De acordo com o delegado assistente da seccional, Ricardo Fiore, as investigações preliminares vão determinar como o caso será apurado. “Serão feitas diligências para identificar a autoria dos telefonemas, e dependendo do grau de dificuldade podemos contar com o apoio da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) para essa identificação. Qualquer afirmação sobre isso agora, porém, é muito preliminar”, afirmou.

 
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