Corpo do jornalista Lucas morto em PE será velado em Santo Antônio de Goiás

Lucas Fortuna, de 28 anos, foi encontrado morto em praia no domingo (18).
Corpo chegou a Goiânia esta tarde e enterro será na manhã de quarta.


Por Gabriela Lima
Avelino Mendes Fortuna, pai de Lucas, desembarca com a mala do filho (Foto: Gabriela Lima)Avelino Mendes Fortuna, pai de Lucas, desembarca com a mala do filho (Foto: Gabriela Lima)
O velório do jornalista goiano Lucas Cardoso Fortuna, de 28 anos, será realizado na noite desta terça-feira (20) no ginásio de esportes de Santo Antônio de Goiás, cidade da Região Metropolitana de Goiânia. O corpo do jovem encontrado morto em Pernambuco chegou ao Aeroporto Santa Genoveva nesta tarde, mas o velório só deve começar às 21h30.

De acordo com o pai de Lucas, o comerciante Avelino Mendes Fortuna, de 57 anos, o corpo do rapaz foi transportado por avião em uma urna lacrada e precisou ser levado para uma funerária em Goiânia, onde a preparação do caixão será feita. O enterro está previsto para a manhã de quarta-feira (21), no cemitério da cidade.

Avelino, que havia viajado ao Recife para reconhecer o corpo do filho, se emocionou ao ser recebido por um grupo de amigos do jornalista esta tarde no aeroporto da capital. Em entrevista ele disse que, apesar do atestado de óbito apontar que a morte ocorreu por afogamento, ele acredita que o filho tenha sido assassinado: "Ele foi espancado e jogado no mar".

Jornalista Lucas Fortuna (Foto: Arquivo pessoal)Jornalista Lucas Fortuna (Foto: Arquivo pessoal)
Lucas foi achado morto em uma praia de Calhetas, em Cabo de Santo Agostinho, na manhã de domingo (18). De acordo com o pai de Lucas, a preparação do corpo e traslado foram pagos pela prefeitura do município, situado na Grande Recife. O jovem, que também era árbitro de vôlei, estava na cidade para participar de evento desportivo.

Segundo Avelino, o jovem estava com os pés, costas e rosto machucados. Mas o pai destaca que não havia marcas de facadas, como chegou a ser divulgado no início das investigações.

Avelino não acredita na hipótese de latrocínio - roubo seguido de morte. Segundo ele, a camisa do filho foi encontrada ensanguentada em umas pedras na praia onde corpo do jornalista foi achado. O pai disse ainda que ao lado da peça estava a carteira dele, com os documentos, um pouco de dinheiro e três cartões bancários.

Ao ser encontrado boiando no mar, Lucas estava apenas de cueca. O pai disse que a polícia ainda não localizou a calça nem o celular do rapaz.

Apesar de acreditar em assassinato, o pai não quis opinar sobre a possível motivação do crime. "Prefiro aguardar as investigações para não cometer nenhuma injustiça", afirmou.

Lucas morava com o pai e o irmão em Santo Antônio de Goiás e, segundo Avelino, sempre que viajava ligava todos os dias, mas na noite de sábado (17), quando foi visto pela última vez por um colega da federação de vôlei que dividia o quarto de hotel, não ligou. Os colegas só deram falta dele na manhã seguinte, pois ele não apareceu para apitar a partida da qual seria árbitro.

Suspeita
Amiga de Lucas há 10 anos, a funcionária pública Elaine Gonzaga tem opinião formada sobre a motivação do crime: "A gente tem certeza que é uma questão homofóbica", disse. Segundo ela, a identidade de Lucas estava rasgada ao meio.

Lucas que era gay, ativista LGBT e presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) de Santo Antônio de Goiás. "Para mim, o mais importante não é descobrir quem o matou, mas sim que os ideais que ele defendia, como a liberdade de expressão e respeito aos homossexuais, continuem vivos", disse o pai.

CID acompanha
A Comissão Interamericana De Direitos Humanos da OEA acatou a denúncia do Deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ). Jean declarou hoje em seu twitter pessoal: “A Unidade para os Direitos das Pessoas LGBTs da CIDHs da OEA vai, a partir de agora, incluir a morte de Lucas entre os crimes que acompanha.”

 
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