LGBTs de Chicago teme retrocesso se Romney conquistar a Casa Branca

Por Fabiana Uchinaka
Dakota Cochrane lutador TUF (Foto: Divulgação)Fachada do Gay Mart, mercadinho de suvenires com temática LGBT em Chicago, cidade de Illinois (Foto: Fabiana Uchinaka/UOL)
O bairro é todo decorado nas cores do arco-íris. Em cada poste, em cada vitrine, em cada entrada de bar há uma bandeirinha, lembrando que por estas ruas todos os anos, desde 1970, passa, com muito orgulho, a Parada LGBT de Chicago, uma das mais pioneiras e tradicionais. Ali, na rua Halsted, bem no coração do Boystown, como a região de Lakeview é popularmente conhecida, fica o Gay Mart, um mercadinho de suvenires com temática LGBT, e atrás do balcão está Sheldon Rosenbaum, 56.

O dono do estabelecimento é um dos principais ativistas LGBT do bairro e atua desde os anos 60, quando ainda era um estudante, no movimento dos direitos civis. A loja é, há duas décadas, um ponto de referência para quem procura diversidade.

"Eu realmente não quero ver um republicano como presidente dos Estados Unidos, seria horrível", logo desabafa ele.

O medo de que isso aconteça é real, já que o presidente democrata Barack Obama e seu rival, o republicano Mitt Romney, estão empatados na maior parte das pesquisas de opinião. E, caso Romney vença hoje, pode haver um retrocesso nos direitos conquistados por LGBTs nos últimos anos.

Os dois candidatos são antagônicos no que diz respeito às propostas para a comunidade LGBT. Obama foi o primeiro presidente americano a apoiar em público o casamento igualitário e derrubou uma política que obrigava lésbicas e gays nas Forças Armadas a esconder sua orientação sexual.

Já Romney, além de ser totalmente contra a união entre pessoas do mesmo sexo, propõe uma emenda federal na Constituição que defina o casamento como uma relação apenas entre homem e mulher. Ele também é acusado de impedir a reformulação das certidões de nascimento de Massachusetts para que constasse genitor A e B, em vez de pai e mãe, e de ter negado o registro dos nomes dos pais nas certidões de filhos de casais do mesmo sexo quando era governador.

O Boystown atualmente não é mais "tão gay" quanto costumava ser, hipsters e yuppies também circulam por aqui, e isso, para quem lutou pelos direitos civis universais, é claramente um avanço. Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais não precisam mais viver isolados para se sentirem confortáveis. Mas, décadas depois que a luta começou, a sensação é de que ainda falta para ser uma vitória completa.

"É muito fácil escolher um lado", diz Rosembaum. "Os republicanos só pensam neles mesmos e em suas riquezas. Eles não se importam com questões sociais. E isso vai diametralmente na contramão do que eu acredito: obviamente que os gays devem ter direito iguais ao de outros cidadãos, e isso inclui o casamento, mas também que as mulheres devem ser donas de seus corpos e devem decidir o que querem fazer com ele, e que os imigrantes que moram aqui devem ter direito a uma cidadania completa, sem se preocuparem se vão ser deportados."

Nesse sentido, Obama se encaixa melhor nos anseios do ativista. Ele defende a livre escolha da mulher e considera o aborto um "direito constitucional", enquanto Romney é radicalmente contra, até mesmo em casos de estupro. Além disso, o governo democrata quer a distribuição gratuita de pílula anticoncepcional, o que vai contra os valores religiosos pregados pelo republicano, e adotou leis para que os imigrantes ilegais fosse reconhecidos como cidadãos. Romney é favorável à deportação.

"Eu não acho que o Obama é perfeito, ele não fez uma série de coisas que ele disse que faria, como consertar a economia. Mas, ele herdou uma situação grave, e isso estava muito além de seu controle. Acho que ele prometeu demais, e as pessoas deste país querem as coisas para ontem, não querem esperar por nada. Mas, de qualquer forma, não poderia votar em um homem que eu não confio, como Romney", explica Rosembaum.

Obama e Romney estão praticamente empatados nas pesquisas de opinião. Ambos divergem sobre os direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (Foto: Arte Gay1)Obama e Romney estão praticamente empatados nas pesquisas de opinião. Ambos divergem sobre os direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (Foto: Arte Gay1)
 
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