Obama é reeleito e população LGBT ganha relevância nas eleições americanas

'O melhor está por vir e não importa se você é gay ou hetero', disse em discurso.
Democrata foi o primeiro presidente a apoiar os direitos de LGBTs.


Por Hernanny Queiroz, com Agências Internacionais
O presidente reeleito dos EUA, Barack Obama, discursa nesta quarta-feira (7) em Chicago (Foto: AP)O presidente reeleito dos EUA, Barack Obama, discursa nesta quarta-feira (7) em Chicago (Foto: AP)
O presidente dos EUA, Barack Obama, reeleito após vencer o republicano Mitt Romney na eleição da véspera, disse nesta quarta-feira (7) que, para os Estados Unidos, "o melhor ainda está por vir e não importa se você é gay ou hetero" e que ele volta à Casa Branca "mais determinado e inspirado" para o segundo mandato.

Obama, que ganhou mais quatro anos para continuar implantando seu programa de mudanças, teve dificuldades para iniciar seu discurso. A plateia gritava para o presidente: "Mais quatro anos! Mais quatro anos".

Obama - que se opôs ao 'Don't Ask, Don't Tell', que proibia lésbicas, gays ou bissexuais servindo nas Forças Armadas de anunciar publicamente sua orientação sexual, - foi o primeiro presidente americano a apoiar os direitos de LGBTs ao casamento. Ele disse que isso é uma crença pessoal, "para mim, pessoalmente, é importante seguir e afirmar que casais do mesmo sexo devem poder se casar".

Confira a parte do discurso do presidente Barack Obama:
América, acredito que podemos partir do progresso que já conquistamos e continuar a lutar por novos empregos, novas oportunidades e nova segurança para a classe média. Acredito que podemos cumprir a promessa de nossa fundação: a ideia de que, se você está disposto a trabalhar muito, não importa quem você é, de onde vem, qual é sua aparência ou onde ama. Não importa se você é negro ou branco, hispânico, asiático ou indígena americano, jovem, velho, rico ou pobre, saudável, deficiente, gay ou hetero.

Relevância nas eleições
Marqueteiros americanos fatiaram o país, de fato, em vários grupos de eleitores especiais: latinos, judeus, mulheres. Um deles é o eleitorado LGBT. Oito milhões de americanos se definiram como gays, lésbicas, bissexuais, travestis ou transexuais, segundo pesquisa do instituto Gallup.

O papel deles é considerado importante não tanto pelo número, mas, sobretudo, pelo ativismo e engajamento políticos. Desde que o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi autorizado pela primeira vez em um estado americano, há oito anos, 75 mil cerimônias foram realizadas, de acordo com a Marriage Equality USA.

Apesar de serem uma parcela pequena da população, LGBTs são considerados mais engajados, porque dedicam mais tempo, energia e dinheiro para as campanhas políticas. Esse espírito de mobilização começou com a busca pela igualdade de direitos. Em 1969, em um bar de Nova York, eles decidiram enfrentar a polícia e se unir para combater a homofobia. Tomaram as ruas e deram início ao movimento do 'Orgulho LGBT'.

Posição influi na opinião pública
A declaração de apoio de Barack Obama ao casamento entre pessoas do mesmo sexo pode ter levado alguns norte-americanos, especialmente negros e hispânicos, a reconsiderar sua oposição a isso, como revela uma pesquisa Reuters/Ipsos.

Em 9 de maio, Obama se tornou o primeiro presidente dos Estados Unidos a se posicionar favoravelmente ao casamento igualitário. Democratas, ativistas e outros viram nisso um marco nos direitos civis do país.

A pesquisa pergunta aos entrevistados se eles são 'contra o casamento homossexual', se 'apoiam uniões civis homossexuais', se 'apoiam o casamento homossexual' ou se 'não têm opinião formada'.

A manifestação de Obama parece ter tido impacto particularmente entre os afroamericanos. Antes de 9 de maio, 34 por cento dos negros se opunham ao casamento igualitário. Agora, só 23 por cento são contra.

 
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