Travestis e transexuais acusam organizadores de parada de piracicabana de transfobia

Grupo acusa a organização do desfile de excluir o segmento do evento.
Inclusão de um terceiro trio elétrico, que foi rejeitada, motivou confusão.


Do Gay1 SP
Carol Venturini, presidente da ONG Glitter, acusa organização de transfobia (Foto: Thomaz Fernandes)Carol Venturini, presidente da ONG Glitter, acusa organização de transfobia (Foto: Thomaz Fernandes)
A Organização Não-Govenamental Glitter, que trabalha com políticas públicas voltadas para transexuais e travestis em Piracicaba (SP) acusou, nesta quinta-feira (22), a organização da parada LGBT, que ocorre no domingo (25), de transfobia (preconceito contra travestis, transgêneros e transexuais). A proibição de um trio elétrico representando travestis e transexuais durante o desfile teria sido a razão para a briga.

A parada acontecerá pelo sexto ano em Piracicaba, no próximo fim de semana. Em paralelo ao evento, acontece também o Encontro LGBT de Piracicaba e Região pelo quarto ano, que reúne mesas de debates de líderes do movimento LGBT de todo o estado e que teve início nesta quinta-feira no Sesc Piracicaba.

O tema desse ano é "Homofobia mata! A próxima vítima pode ser você" e faz uma alusão ao assassinato de uma travesti em Piracicaba, no início do ano. Madalena, a primeira travesti a se tornar vereadora na cidade, também será homenageada em um dos dois trios que serão colocados no evento.

A presidente da Glitter, Carol Venturini, afirmou que desde o ano passado o grupo tenta incluir um terceiro trio no desfile e vem tendo o pedido negado. "Ano passado pedimos em cima da hora e não foi possível. Esse ano o pedido foi feito em 1º de outubro, conseguimos viabilizar um trio, mas o pedido foi negado novamente", disse Carol.

Diante da primeira negativa da organização em aceitar a inclusão do trio, a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) encaminhou um ofício reforçando o pedido para a inclusão do veículo no desfile. "Queríamos esse trio para divulgarmos um encontro de travestis que pretendemos organizar no ano que vem. Esse ano fizemos, mas houve um boicote por parte da ONG que organiza a parada que esvaziou o evento", completou Carol.

Outro lado
A reportagem tentou entrar em contato com a direção do Centro de Apoio e Solidariedade à Vida, ONG que organiza a parada LGBT, mas não houve retorno às ligações. O presidente da instituição, Anselmo Figueiredo, no entanto, encaminhou uma nota à Glitter e à Antra em que explica a razão para não ter incluído o terceiro trio e defende-se da acusação de ter excluído travestis e transexuais do evento.

"No ano de 2009, durante a 3ª edição da Parada LGBT de Piracicaba, a inclusão de um terceiro trio elétrico trouxe problemas para a organização do evento, pois o público presente se dispersou", informa trecho da nota. "Com relação à visibilidade para o segmento de Travestis e Transexuais, o segundo trio elétrico da parada será alusivo a este segmento da população LGBT. Pois terá a presença de Madalena, que será homenageada pela organização do evento e, desta forma, trará a discussão sobre questões de identidade de gênero", completou.

 
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