Papa sinaliza aliança entre religiões para combater casamento igualitário

Reuters

Por Philip Pullella

O papa Bento 16, indicando o desejo do Vaticano de forjar alianças com outras religiões contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, disse nesta sexta-feira que a família estava ameaçada "em seus fundamentos" por tentativas de mudar a sua "verdadeira estrutura".

O papa fez a sua mais recente denúncia do casamento igualitário em um discurso de Natal para os funcionários do Vaticano, em que ele misturou religião, filosofia, antropologia e sociologia para ilustrar a posição da Igreja Católica Romana.

Ele colocou todo o peso em um estudo realizado pelo rabino-chefe da França sobre os efeitos que a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo teria sobre as crianças e a sociedade.

"Não há como negar a crise que ameaça em seus fundamentos --especialmente no mundo ocidental", disse o papa, acrescentando que a família tinha de ser protegida porque é "o autêntico ambiente para se entregar o plano da existência humana".

O papa de 85 anos de idade, falando no Salão Clementine do Palácio Apostólico do Vaticano, afirmou que a família estava sendo ameaçada por "uma compreensão falsa da liberdade" e um repúdio ao compromisso de toda a vida do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

"Quando tal compromisso é repudiado, as figuras-chave da existência humana igualmente desaparecem: pai, mãe, filho -- elementos essenciais da experiência de ser humano são perdidos", disse o líder de 1,2 bilhão de católicos do mundo.

O Vaticano partiu para a ofensiva em resposta às vitórias do casamento igualitário nos Estados Unidos e Europa, utilizando todas as oportunidades possíveis para denunciá-lo através de discursos papais ou editoriais em seu jornal ou na sua rádio.

ALIANÇA RELIGIOSA
Em alguns países, a Igreja Católica uniu forças localmente com judeus, muçulmanos e membros de outras religiões para se opor à legalização do casamento igualitário, em alguns casos com argumentos baseados em análises jurídicas, sociais e antropológicas, em vez de ensinamentos religiosos.

Significativamente, o papa elogiou especificamente como "profundamente comovente" um estudo feito pelo rabino-chefe da França, Gilles Bernheim, que se tornou tema de acalorado debate no país.

Bernheim, também um filósofo, argumenta que grupos de direitos LGBT "irão utilizar o casamento gay como um cavalo de Tróia" em uma campanha mais ampla para "negar a identidade sexual e apagar as diferenças sexuais" e "minar os fundamentos heterossexuais da nossa sociedade".

Seu estudo, "Casamento Gay, Paternidade e Adoção: O que muitas vezes esquecemos de dizer", argumenta que os planos de legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo estão sendo feitos para "o lucro exclusivo de uma pequena minoria" e são muitas vezes apoiados por causa do politicamente correto.

Em seu próprio discurso nesta sexta-feira, o papa repetiu alguns dos conceitos do estudo de Bernheim, incluindo a afirmação de que crianças criadas por casais do mesmo sexo seriam mais "objetos" do que indivíduos.

No mês passado, os eleitores nos Estados norte-americanos de Maryland, Maine e Washington aprovaram o casamento igualitário, na primeira vez em que os direitos do casamento foram estendidos a casais do mesmo sexo pelo voto popular.

Uniões do mesmo sexo foram legalizadas em seis Estados e no Distrito de Columbia pelos legisladores e pelos tribunais.

Também em novembro, a mais alta Corte da Espanha confirmou uma lei do casamento igualitário, e na França o governo socialista anunciou um projeto de lei que permitiria o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

 
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