No 2ª dia de aula, estudantes da UnB encontram pichação ofensiva em CA

Mensagens são pejorativas, machistas e homofóbicas, diz nota de repúdio.
Alunos vão cobrir agressões; direção da faculdade diz lamentar o ocorrido.


Por Raquel Morais
Mensagem ofensiva pichada no centro acadêmico de direito da UnB (Foto: Raquel Morais)Mensagem ofensiva pichada no centro acadêmico de direito da UnB (Foto: Raquel Morais)
Estudantes da Universidade de Brasília encontraram pichações ofensivas nas paredes do centro acadêmico de direito nesta terça-feira (8), dois dias após a retomada das aulas. Eles informaram que compraram tintas para cobrir as agressões.

Membro do CA, Hugo Fonseca disse que não é a primeira vez que isso acontece. "Mas agora as mensagens foram muito pesadas. Como militante da LGBT, eu me sinto ofendido na minha essência. Mas a gente tem que pegar as nossas lágrimas e fazer das tripas coração para mudar esse pensamento."

Segundo a instituição, há cerca de 1,2 mil estudantes na faculdade. Fotos das mensagens foram publicadas na internet e receberam manifestações contrárias. O CA divulgou uma nota de repúdio às ofensas convocando alunos a não se calarem diante do ocorrido.

"Na manhã dessa terça, dia 08 de janeiro, membros da Gestão Diretora do Centro Acadêmico de Direito da Universidade de Brasília foram se reunir no espaço físico do nosso CA. Chegando lá, depararam-se com novas escritas nas paredes do local. No entanto, ao contrário dos já existentes, esses novos dizeres possuem um caráter totalmente ofensivo, preconceituoso, pejorativo, machista e homofóbico", diz o começo da nota.

Também integrante do CA, Larissa Rodrigues afirma que o discurso vai contra tudo que o grupo tem tentado implantar. "Fiquei muito mal hoje, me chocou muito o quanto isso foi pesado. Acho difícil que aconteça algo pior, embora o risco sempre exista, mas acho que isso pode alimentar a intolerância em ambientes fora da UnB."

O diretor da faculdade, George Galindo, diz que não foi comunicado sobre as mensagens e classificou o evento como "triste". Ele destacou que o curso tem diversos grupos de pesquisa que estudam o respeito às minorias.

"A Faculdade de Direito repudia isso veementemente. Discutimos isso [espaço para minorias] amplamente e damos liberdade total para que as pessoas façam o que acharem mais conveniente. Sempre tentamos ser um ambiente plural, para todos. É lamentável."

 
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