Deputada diz que Vaticano está ‘encurralado’ na questão de direitos LGBT

Ministro do Vaticano disse que declaração sobre garantir direitos civis de casais do mesmo sexo foi mal interpretada.

Do Gay1, com agências internacionais
O Papa Bento XVI no Vaticano em 18 de abril de 2012 (Foto: VINCENZO PINTO / AFP)O Papa Bento XVI no Vaticano em 18 de abril de 2012 (Foto: VINCENZO PINTO / AFP)
A mudança de discurso do ministro do Vaticano para a Família, monsenhor Vincenzo Paglia, foi interpretada pela esquerda italiana como uma sinalização de que a Igreja estaria avançando na polêmica questão dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, mas, ao mesmo tempo, “encurralada” pelos conservadores que são contra o casamento igualitário. Horas depois de afirmar que é preciso garantir direitos civis de casais do mesmo sexo, Paglia afirmou nessa quarta-feira que suas declarações foram mal interpretadas. Em entrevista ao site italiano “Avanti”, a deputada opositora Anna Paola Tanning disse nesta quinta-feira que o vaticano está “contra a parede”.

"Eu acredito que a Igreja se encontra um pouco, digamos, encurralada. As posições do Vaticano sobre os gays não são nenhum mistério. As hierarquias eclesiásticas parecem obcecadas com a homossexualidade. Nos últimos anos eles têm falado pérolas sobre o assunto. Hoje, porém, estamos diante de um cenário em que muita coisa mudou. A centro-esquerda está historicamente na vanguarda da defesa dos direitos dos gays, não podemos continuar com esta situação, fruto de uma visão obscurantista" afirmou Anna Paola, que é candidata pelo Partido Democrata às eleições parlamentares dos dias 24 e 25 de fevereiro.

Segundo a parlamentar, o Vaticano também estaria sofrendo pressão de outros países que estão à frente na discussão dos direitos para LGBTs "O problema está fora das fronteiras nacionais. França, Estados Unidos, assim como outros países do mundo mudaram" acrescentou.

Após as declarações, em uma entrevista à Rádio do Vaticano, Paglia afirmou que ficou “muito surpreso” quando alguns veículos de imprensa publicaram que ele apoiava o direito de casais do mesmo sexo. Para esclarecer sua posição, o religioso explicou que é necessário “verificar nos ordenamentos jurídicos existentes a possibilidade de utilizar normas jurídicas que tutelem os direitos individuais”.

 
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