UnB lança diretoria de diversidade e disque-denúncia contra homofobia, lesbofobia e transfobia

'Esse tipo de situação é inadmissível', diz decana de Assuntos Comunitários.
Neste ano, pelo menos dois casos de homofobia e lesbofobia foram registrados.


Por Raquel Morais
Estudantes da UnB reunidos nesta sexta-feira (22) para discutir medidas contra a homofobia, lesbofobia e transfobia (Foto: Raquel Morais)Estudantes da UnB reunidos nesta sexta-feira (22) para discutir medidas contra a homofobia, lesbofobia e transfobia (Foto: Raquel Morais)
A decana de Assuntos Comunitários da Universidade de Brasília, Denise Bomtempo, anunciou na sexta-feira (22) a criação da Diretoria da Diversidade como "forma de dar resposta imediata" às manifestações de intolerância ocorridas dentro da instituição. Ela disse também que vai ser criado um disque-denúncia para receber relatos de intolerância, mas não deu data para o serviço começar a funcionar.

Nos últimos 45 dias, houve o registro de pelo menos duas manifestações supostamente motivadas por homofobia e lesbofobia: uma aluna foi espancada por ser lésbica e o centro acadêmico de direito recebeu pichações ofensivas. A investigação sobre a agressão foi aberta nesta quinta. A autoria das pichações é investigada desde janeiro por uma comissão da universidade.

Segundo a decana, o objetivo da criação da diretoria é evitar novos ocorrências e acelerar as punições caso aconteçam outros casos de intolerância na universidade. A diretoria deve começar a funcionar em abril e também vai abordar questões étnicas e de gênero.

Denise afirmou que vai trabalhar com uma equipe multidisciplinar, com apoio de professores, pedagogos, assistentes sociais e psicólogos. Eles vão atuar para combater novos casos. Ela disse que a UnB tem registro de outros casos recentes de agressões verbais e físicas motivadas por preconceito.

"Existe aqui um paradoxo: estamos em uma instituição pública e plural, mas que infelizmente tem espaço para essas ocorrências. E é por termos responsabilidade de formação, na qual também entra a questão de caráter e ética, que precisamos trabalhar isso aqui dentro. Esse tipo de situação é inadmissível", disse.

A decana informou que a diretoria tem sido pensada desde o final do ano passado, mas teve a criação acelerada após a repercussão dos dois casos. Dados consultados por Denise apontam que 3,9% dos casos de homofobia registrados no Brasil em 2011 ocorreram em escolas e universidades.

"É sim um número alto e é sim preocupante. Mas o ponto aqui é que, ainda que fosse um único caso, esse único caso já é suficiente para que a gente tenha uma ação mais efetiva."

Entre as medidas a serem adotadas está o reforço na iluminação do campus, especialmente dos estacionamentos.

A UnB tem aproximadamente 30 mil alunos de graduação e 8 mil de pós. Somados a professores, servidores e estudantes que fazem outros cursos na instituição, a decana estima que 50 mil pessoas circulem diariamente na universidade.

Manifestação de alunos
Estudantes da Universidade de Brasília se reuniram no início da tarde de sexta-feira (22) para discutir propostas que possam combater manifestações homofóbicas, lesfóbicas e transfóbicas dentro da instituição. O encontro foi organizado após a agressão a uma aluna lésbica e às pichações no centro acadêmico de direito.

Estudante de serviço social e membro da Assembleia Nacional dos Estudantes Livres, Luth La Porta afirmou que há vários casos "menores" que acontecem diariamente, mas que não ganham repercussão.

"A gente tem muito medo. Cada caso que a gente fica sabendo, a gente fica muito abalado. A gente tem medo de vir estudar, porque não sabe como vai voltar para casa, se vai estar machucado ou mesmo vivo", disse.

 
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