Casal de lésbicas do interior de SP recebe carta de ameaça com suástica

Por Eduardo Schiavoni

Um casal de lésbicas que mora em Santa Bárbara d´Oeste (SP), 135 quilômetros a noroeste de São Paulo, registrou um boletim de ocorrência na noite de sábado (9) após receber uma carta contendo ameaças e uma suástica, símbolo nazista.

O caso foi registrado no Plantão Policial de Americana (SP), cidade próxima, e a polícia abriu inquérito para investigar o caso. O caso será direcionado para a Delegacia de Defesa da Mulher de Santa Bárbara, onde as vítimas residem.

Segundo o registro policial, a correspondência foi deixada na casa das vítimas, no Jardim Mollon IV, e o remetente identificou-se como integrante do Movimento Homofobia Já (MHJ). O texto afirma que a comunidade do bairro "não aceita essas atitudes imorais" e diz que, se o casal não se mudar ou terminar o relacionamento, o movimento "partirá para a ação".

D. B.V.D., 33, e R.F., 25, moram juntas há cerca de dois anos e afirmaram à polícia que não têm ideia de quem pode ter feito a ameaça. As duas disseram ter bom relacionamento com os vizinhos, e que a carta foi a primeira manifestação contra seu relacionamento desde que moram no local.

Autor da carta chama LGBTs e negros de "lixo"
"Vocês estão sendo vigiadas 24 horas pela vizinhança, conhecemos todos que frequentam esta pocilga (...) temos crianças e não temos que conviver com lésbicas se beijando em frente de casa", escreveu o autor da carta. O documento ainda chama "gays e negros" de "lixo".

O autor da carta diz que tem fotos e que irá chamar o Conselho Tutelar para retirar do local D., que tem nove anos e vive com o casal.

O autor também debocha da possibilidade de o casal registrar a ocorrência na polícia. "Vão ser feliz no inferno. Se quiser mostrar à polícia, saiba que a polícia (...) é que vai pegar vocês. Na casa de vocês não vai acontecer nada, mas, quando estiverem na rua, prestem atenção", diz o documento.

Vítimas falaram sobre carta com vizinhos
As vítimas disseram que falaram com seus vizinhos e ninguém demonstrou conhecer o teor da carta, nem relatou qualquer problema com elas. As duas disseram que possuem vida familiar tranquila e que evitam demonstrações públicas de afeto. Por motivo de segurança, elas pediram para não ter os nomes divulgados.

Elas afirmaram que pedirão à imobiliária que aluga o imóvel que o portão da casa seja trocado, para dificultar o acesso ao local.

A reportagem entrou em contato com alguns vizinhos. Três deles disseram não conhecer as vítimas, e o quarto afirmou saber do relacionamento entre elas, mas disse que nunca soube de nenhum problemas envolvendo o casal e os demais moradores. "Até onde sei, são pessoas corretas, que não fazem mal a ninguém. Se elas têm uma história de amor, ninguém tem nada com isso, é da conta delas", disse o vizinho, que pediu para ter o nome omitido da reportagem.

 
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