Presidente da Comissão de Direitos Humanos pede prisão de manifestante

Da Reuters

O clima tenso na reunião da Comissão de Direitos Humanos da Câmara nesta quarta-feira, presidida pelo deputado Marcos Feliciano (PSC-SP), já era esperado, mas a tensão chegou a seu ápice quando o presidente, foco de protestos por declarações consideradas homofóbicas, racistas e machistas ordenou que a polícia da Casa prendesse um manifestante.

"Aquele senhor de barba... Me chamou de racista... Vai sair preso daqui porque me chamou de racista", disse o parlamentar, que também é pastor evangélico.

Feliciano forçou o início da sessão, tumultuada por gritos, apitos e frases de efeito de manifestantes pró e contra ele.

Os protestos impediam que o discurso do deputado fosse ouvido com clareza, mesmo com o uso de microfone.

"Eu vou pedir para os manifestantes manterem a calma", iniciou Feliciano. "Eu não vou ceder à pressão. Vocês vão ficar sem voz", afirmou, dirigindo-se aos ativistas.

O deputado tentou seguir a sessão --interrompida diversas vezes por gritos como "todo dia o racismo mata" e "todo dia homofobia mata".

Um dos manifestantes gritou a um parlamentar que estava ao lado de Feliciano que ele estava sentado "ao lado de um racista", referindo-se ao presidente da comissão, que imediatamente ordenou à segurança da Casa que detivesse o manifestante.

Não foi possível checar o nome do ativista, que foi levado por vários seguranças para fora do plenário da comissão.

Segundo um segurança da Casa, a praxe é interrogar a pessoa detida e depois liberá-la. Apenas após apuração dos fatos é que a pessoa pode ou não ser presa.

Após a detenção do manifestante, Feliciano transferiu o local da sessão para outro plenário, onde só seria permitida a entrada dos deputados, assessores e jornalistas.

Um outro grupo de manifestantes dirigiu-se ao gabinete de Feliciano e um segundo ativista foi detido.

Os dois manifestantes foram levados para a Coordenação de Polícia Judiciária da Câmara para prestar depoimento.

A permanência de Feliciano na presidência da comissão é cercada de polêmica, por conta de declarações do deputado consideradas homofóbicas, racistas e machistas, que provocaram reações de entidades que atuam na defesa dos Direitos Humanos.

Feliciano afirmou em sua conta no Twitter que africanos são descendentes de amaldiçoados por Noé e, numa outra ocasião, disse que a Aids é o "câncer gay".

Em 12 de março, um grupo de parlamentares protocolou um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal pedindo a anulação da sessão em que Feliciano foi eleito para presidir a comissão. O mandado teve como argumento central que regras regimentais não foram respeitadas durante a votação, por ter sido em sessão secreta.

 
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