Feliciano fecha sessão de Comissão de Direitos Humanos para público

Deputado conseguiu aprovar requerimento restringindo acesso às sessões. Pressão para saída de Feliciano do cargo continua.
Feliciano fecha sessão de Comissão de Direitos Humanos para público
Por Ari Peixoto, com informações e vídeo do Jornal da Globo
Hostilizado por grupos que o acusam de homofobia, racismo e machismo, o presidente da Comissão de Direitos Humanos, o deputado Marco Feliciano, do PSC de São Paulo, aprovou pedido para que as sessões sejam fechadas ao público.

Sob a alegação de que é preciso manter a ordem, Feliciano conseguiu aprovar um requerimento restringindo o acesso às sessões da Comissão de Direitos Humanos na Câmara.

Só os deputados, assessores, convidados e a imprensa poderão participar. O regimento da Câmara permite, mas há quem discorde. “Fere o regimento porque as sessões são sempre públicas e a exceção é para sessão reservada ou secreta em caso de matéria específica que exija algum sigilo. A essência do parlamento é o seu caráter aberto, público”, afirma o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).

Na prática, a restrição já tinha começado. Impedidos de entrar na sala, manifestantes contra e a favor do deputado Marco Feliciano bateram boca durante horas no corredor. Houve empurra-empurra. Um manifestante pró-Feliciano foi retirado pela Polícia Legislativa.

Depois de deixar o corredor da Comissão de Direitos Humanos, os manifestantes que são contra o deputado Marco Feliciano passaram a circular pelas dependências da Câmara dos Deputados.

Eles caminharam e sentaram no chão, sempre vigiados de perto pela segurança, e acabaram indo embora. No fim da sessão, o deputado Marco Feliciano voltou a dizer que não renuncia. “Estarei junto com o colégio de líderes, quero ouvir o que os líderes têm a falar, e vou levar daqui a pauta propositiva que nós temos, e mostrar que a comissão não está parada”, disse.

A pressão, porém, continua. O PSOL pediu a abertura de processo disciplinar contra Feliciano na Comissão de Ética. O PT entrou com recurso para tentar anular a eleição dele. Nove deputados de vários partidos querem que ele seja investigado por supostas irregularidades cometidas com a verba parlamentar.

Na mesma reunião, a Comissão de Direitos Humanos aprovou moção de repúdio à atitude homofóbica do atual presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Em um comício no mês passado para as eleições presidenciais marcadas para o dia 14 próximo, Maduro insinuou que o candidato da oposição, Henrique Capriles, é gay. “Eu, sim, tenho mulher”, disse Maduro. “Eu gosto de mulher”.

O próprio Capriles respondeu a Maduro, candidato do chavismo, dizendo que prefere uma sociedade na qual ninguém seja excluído por sua forma de pensar ou orientação sexual.

 
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