Para diocese, padre excomungado fez 'escândalo' e cometeu 'heresia'

Fiéis lotam missa de padre que defende direitos iguais para LGBTs

CRISTINA CAMARGO e BEATRIZ IZUMINO
Mais de mil pessoas lotaram a igreja Santo Antônio, em Bauru, no domingo de manhã para de despedir das missas celebradas pelo Padre Beto que anunciou sua saída da igreja no sábado. Pedro Motta deixa um churro de adeus. (Foto: Luly Zonta/Agência BOM DIA)Mais de mil pessoas lotaram a igreja Santo Antônio, em Bauru, no domingo de manhã para de despedir das missas celebradas pelo Padre Beto que anunciou sua saída da igreja no sábado. Pedro Motta deixa um churro de adeus. (Foto: Luly Zonta/Agência BOM DIA)

Um dia após fiéis terem lotado as missas de despedida do padre Beto, a Diocese de Bauru (SP) disse ontem, em um comunicado, que todas as iniciativas de diálogo com o religioso foram esgotadas.

O texto diz que, "em nome da liberdade de expressão", o padre "traiu o compromisso de fidelidade à igreja a qual ele jurou servir no dia de sua ordenação sacerdotal".

Ele afirma também que "estes atos provocaram forte escândalo e feriram a comunhão eclesial".

De acordo com a diocese, com as declarações divulgadas em vídeo na internet, o padre cometeu um "gravíssimo delito de heresia" cuja pena prescrita é a excomunhão.

Quem é excomungado não pode participar de nenhuma cerimônia do culto católico, celebrar ou receber sacramentos. Não pode batizar ou ser batizado, casar-se ou realizar um casamento, confessar-se ou ouvir confissões.

Como membro desligado da Igreja Católica, também não recebe mais os benefícios, como pensão, por cargos que tenha exercido.

Para tocar o processo de excomunhão, um padre especialista em direito penal canônico foi nomeado juiz instrutor pelo bispo de Bauru, Caetano Ferrari, 70.

A assessoria de imprensa da diocese informou que após a decisão nenhum pronunciamento será feito.

Ainda ontem, ao lado de uma advogada, o padre Beto procurou um cartório para registrar seu pedido de afastamento logo após ser informado sobre a excomunhão.

A diocese avalia que a excomunhão "coloca um ponto final nessa dolorosa história" e pede que o padre "tenha a coragem da humildade em reconhecer que não é o dono da verdade e se reconcilie com a igreja".

 
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