Engavetar projeto que autoriza 'cura gay' seria covardia, afirma Feliciano

Presidente da Comissão de Direitos Humanos colocou proposta na pauta.
Comissão também deve deliberar sobre preconceito contra heterossexuais.


Por Nathalia Passarinho
Engavetar projeto que autoriza 'cura gay' seria covardia, afirma Feliciano
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Marco Feliciano (PSC-SP), afirmou nesta terça-feira (7) que o projeto que autoriza a atuação de psicólogos que prometem a “cura gay” precisa “caminhar”.

De autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), líder da bancada evangélica na Câmara, o projeto derruba resoluções do Conselho Federal de Psicologia (CFP) contra tratamentos para a "cura" da sexualidade.

Segundo Feliciano, seria um ato de “covardia” engavetar o texto. Feliciano pautou para esta quarta (8) a votação da proposta na comissão.

“O projeto precisa caminhar e eu não vou engavetar nenhum projeto, até porque a comissão é vazia de projetos. Os poucos projetos que tem são polêmicos. Eu não posso engavetar projeto porque eu seria covarde se fizesse isso”, disse.

Um dos artigos da resolução do conselho que o projeto de Campos pretende derrubar impede ações dos profissionais voltadas para o tratamento de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Outro artigo determina que psicólogos não se pronunciem de modo a reforçar preconceitos em relação a LGBTs. Na prática, se esses dois trechos forem retirados, psicólogos estariam liberados para atuar em busca da suposta “cura gay”.

Feliciano defendeu a proposta, que, segundo ele, “protege” os profissionais de psicologia. “Pelo que eu li, o projeto protege o profissional da área de psicologia. Pelo que eu estudei, em todos os conselhos de psicologia do mundo, o único que tem esse tipo de resolução, que fere frontalmente o profissional, é no Brasil. Ele vai ser discutido, tomara que dê tudo certo e que vençam os melhores argumentos”, declarou.

Feliciano também confirmou que está mantida a votação nesta quarta do projeto que penaliza a discriminação contra heterossexuais.
Ele negou que a inclusão dessas propostas na pauta seja uma "provocação" a movimentos de defesa aos direitos LGBT que reivindicam a saída dele da presidência da comissão.

"Não é [provocação]. A comissão tem que trabalhar. Não tem nada na comissão. Eu não posso ficar fazendo audiência pública, audiência pública. Eu preciso de projetos, e os projetos precisam ser colocados em pauta", declarou.

 
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