Historiador se mata em Notre Dame após protestar contra casamento igualitário

Ativista de direita de 78 anos se matou a tiros diante do altar da igreja.
Pouco antes, ele publicou post chamando união igualitária de 'lei infame'.


Do Gay1

O historiador francês Dominique Venner, de extrema-direita, cometeu suicídio nesta terça-feira (21) na catedral de Notre Dame de Paris, pouco depois de ter publicado em seu site um post protestando contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O texto do ativista de 78 anos chama o casamento igualitário, promulgado pelo presidente francês François Hollande no sábado, de "lei infame".

O suicídio provocou a saída de todas as pessoas da igreja, um dos grandes monumentos turísticos da capital francesa, informou a polícia.

O incidente ocorreu às 16h locais (11h de Brasília).

Segundo os primeiros elementos da investigação, ele se matou a tiros, diante do altar.

"São necessários gestos novos, espetaculares e simbólicos para tirar as pessoas da sonolência, balançar as consciências anestesiadas e acordar a memória das origens", alertou em seu texto na internet.

Patrick Jacquin, reitor da catedral, indicou à AFP que o homem depositou uma carta no altar, junto ao coro, antes de se suicidar.

Paraquedista durante a guerra na Argélia, Dominique Venner depois fez parte da clandestina Organização Armada Secreta (OAS), que tinha o objetivo de impedir a independência desse país do norte da África.

Venner participou de várias organizações de extrema-direita desde meados dos anos 1950. Ele é autor de vários livros dedicados à história, política e exército, às armas de fogo e à caça.

A França acaba de autorizar o casamento e adoção por casais de mesmo sexo e as primeiras celebrações devem acontecer nas próximas semanas.
A igreja de Notre Dame, em Paris (Foto: AFP)A igreja de Notre Dame, em Paris (Foto: AFP)
 
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