Embaixada francesa celebra seu 1º casamento igualitário no Brasil

Casal mora na Bahia e escolheu Dia dos Namorados para oficializar união. Lei francesa foi aprovada no dia 23 de abril.

Publicado em 13/06/13 às 11:26

Casal mora na Bahia e escolheu Dia dos Namorados para oficializar união. Lei francesa foi aprovada no dia 23 de abril.
Por Raquel Morais

Foto: Raquel Morais

Franceses Gilles Barral e Didier Ounnas celebram com beijo união realizada em consulado em Brasília
Para nós, já somos casados há muito tempo. Somos casados nos nossos corações"

Didier Ounnas, engenheiro francês

O Consulado da França em Brasília celebrou na manhã desta quarta-feira (12) o primeiro casamento entre cidadãos franceses do mesmo sexo no Brasil, no âmbito da lei sancionada no país em maio. Os noivos, Didier Ounnas e Gilles Barral, são proprietários do hotel baiano Casa do Amarelindo e escolheram o Dia dos Namorados para oficializar os 25 anos de união.

"Estou muito emocionado", disse o engenheiro Ounnas, de 46 anos. "Teve momentos em que achei que isso não seria possível. Que não conquistaríamos esse direito."

O casal, que se conheceu em uma boate LGBT em Marseille, no sul da França, chegou ao Brasil em 2000 e morou por cinco anos em São Paulo. Eles vieram por causa de uma proposta recebida por Barral, que é químico e tem 51 anos.

Os noivos disseram que chegaram a cogitar voltar à França, mas no mesmo momento surgiu a oportunidade de realizar o sonho de montar um hotel em um país tropical. A escolha por Salvador se deu por ser uma cidade para a qual já viajavam para curtir praias e o carnaval.

Foto: Raquel Morais

Os noivos Gilles Barral e Didier Ounnas no consulado francês em Brasília
A cerimônia foi acompanhada por amigos de Salvador. "Nós estamos aqui para cumprir a lei, mas há momentos em que a gente fica ainda mais feliz por isso. E essa é a mensagem que queremos passar para vocês", disse o cônsul francês Franck Laval.

O casal que voltou para a Bahia na tarde de quarta, para resolver problemas de trabalho, pretendem comemorar a união em uma viagem de três semanas no fim de julho. O primeiro destino é a França, para confraternizar com as famílias. Depois, seguirão para a China e para o Japão.

O Conselheiro de Imprensa e Comunicação da Embaixa da França, Stéphane Schorderet, afirmou que o próximo casamento entre franceses do mesmo sexo vai acontecer no Rio de Janeiro, no dia 12 de julho. Novamente, dois homens selarão a união.

Schorderet afirmou que a união, que também é a primeira na América, é importante para amparar franceses que estão morando em outro lugar. "Os franceses fora da França têm os mesmos direitos dos franceses que estão no país", reforçou.

O consulado informou ainda que esse é o segundo casamento entre cidadãos franceses no Brasil neste ano - um homem e uma mulher oficializaram a relação em março. De acordo com o órgão, outros casais do mesmo sexo já ligaram para saber os procedimentos para a cerimônia, mas ainda não há nenhum outro evento marcado em Brasília.

Planos
Barral afirmou que o casal não pensa em adoção. "Já tivemos o sonho [de ter filhos]. Hoje não está mais nos nossos planos, mas a gente não descarta", afirmou.

Já tivemos o sonho [de ter filhos]. Hoje não está mais nos nossos planos, mas a gente não descarta"

Gilles Barral, químico francês

O engenheiro Ounnas disse que a cerimônia é importante, mas não vai mudar a rotina que ele tem com o marido. "Se tivéssemos tido a oportunidade de nos casar quando nos conhecemos, há 25 anos, já o teríamos feito", afirmou o engenheiro. "Para nós, já somos casados há muito tempo. Somos casados nos nossos corações."

Os franceses afirmam que se decidiram pela cerimônia para valorizar a luta para legalizar as relações entre pessoas do mesmo sexo. "O mundo acompanhou os debates na França, que foram muito difíceis, muito violentos. Revelaram um lado da França que nem nós conhecemos", disse Ounnas.

Lei na França
A norma foi aprovada pelo parlamento francês no dia 23 de abril por 331 votos a favor e 225 contra, depois de diversos protestos que defendiam os dois lados. Com isso, o país passou o 14º do mundo a legalizar o casamento igualitário.
 
Encontre-nos no Google+