Movimento LGBT vê evolução em declaração do papa

CNBB aponta 'conforto', sem 'exagerar'

Publicado em 30/07/13 às 15:10

Do Gay1

O papa também condenou o chamado 'lobby gay' do Vaticano: 'Nenhum lobby é bom', afirmou o argentino.

Foto: Osservatore Romano/EFE

O papa também condenou o chamado 'lobby gay' do Vaticano: 'Nenhum lobby é bom', afirmou o argentino.
A declaração feita pelo papa Francisco, na qual diz que lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais não devem ser julgados, foi vista de forma positiva pelo movimento LGBT e de maneira "confortável" pelos religiosos da CNBB (Conferência Nacional de Bispos no Brasil).

"Se uma pessoa é gay e procura Jesus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, para julgá-lo? O catecismo da Igreja Católica explica isso muito bem. Diz que eles não devem ser discriminados por causa disso, mas integrados na sociedade", afirmou Francisco aos 70 jornalistas que embarcaram com ele a Roma nesta segunda-feira (29). O papa ficou uma semana no Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, que aconteceu no Rio de Janeiro entre os dias 23 e 28 de julho.

O papa também condenou o chamado "lobby gay" do Vaticano. "Nenhum lobby é bom", afirmou o argentino. "O problema não é ter essa orientação. Precisamos ser irmãos. O problema é o lobby por essa orientação, ou lobbies de pessoas ambiciosas, lobbies políticos, lobbies maçônicos, tantos lobbies. Esse é o pior problema", afirmou.

Para o presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT), Fernando Quaresma, a declaração do papa mostra uma "evolução da igreja".

"Achei uma evolução da igreja essa aceitação, essa aproximação com a comunidade gay. Nós temos vários LGBT dentro da igreja e os preceitos da Bíblia falam de uma perspectiva inclusiva das minorias, não o que repercute a Igreja Católica", disse.

Para Quaresma, o fato de essa declaração ter vindo do papa, a maior autoridade da Igreja Católica, indica uma possibilidade de acabar com o preconceito contra LGBT que, segundo ele, existe na instituição.

"Vi a declaração de uma maneira positiva, como uma possibilidade de aproximação. Mas tudo tem de ter uma ponderação. Um acordo se faz quando é bom para as duas partes. Estamos tendo aí um aceno de uma possibilidade de conversação", disse.

O "acordo" ao qual Quaresma se refere significa a aceitação da prática sexual, condenada pelo catolicismo e por outras religiões, como a evangélica.

"Se as igrejas dizem não ser contra os gays, mas são contra o ato sexual entre eles, continua na mesma. Isso é surreal. Quem transa só para ter filho? Existe isso no mundo real? Isso é ficção científica", disse.

CNBB aponta 'conforto', sem 'exagerar'
O presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e Família da CNBB, dom João Carlos Petrini, 67, reafirmou a declaração do papa dizendo que "é um grande conforto o papa Francisco falar desta maneira. A igreja acolhe e é contra o preconceito a qualquer orientação", afirmou.

"O que a igreja reprova é, sim, essa bandeira ideológica [da homossexualidade], como se existisse uma batalha. A realidade é que os homossexuais são acolhidos e nunca serão condenados, destruídos ou rejeitados."

O bispo de Camaçari (BA), no entanto, apontou que a igreja não pretende promover uma abertura a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

"A união de um homem e uma mulher é o que é considerada uma família. Isso [casamento igualitário] para a igreja é impossível, faz parte do matrimônio a possibilidade de gerar. Não é uma maldade contra ninguém, não vamos exagerar, transbordar o discurso para algo que não existe", concluiu.
 
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