Antes de ser morto, professor de MT protestou na web contra homofobia

Delegado investiga crime de latrocínio contra vítima. Professor era gay e foi assassinado dentro de residência.

Publicado em 05/08/13 às 22:01

Por Kelly Martins

Horas antes de ser assassinado em Cuiabá, o professor Pedro Araújo, de 52 anos, usou a rede social para protestar contra a violência e agressões sofridas por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Na página do seu perfil, na web, ele postou uma imagem com três fotos de jovens espancados em atos homofóbicos, com a frase “Estes jovens foram espancados apenas por serem gays. Diga não à homofobia”.

A publicação ocorreu no sábado (3) e o professor foi encontrado morto no domingo (4), dentro da própria residência, um condomínio no Bairro Recanto dos Pássaros. Uma moradora tinha a chave da casa e estranhou o desaparecimento do professor durante todo o dia. Na noite de domingo, ela decidiu entrar no local e encontrou a vítima amordaçada, com os pés e as mãos amarrados. O corpo estava no chão, dentro do quarto. Ele apresentava ter sido estrangulado ou asfixiado.

Um boletim foi registrado pela Polícia Militar que informou que a vítima era gay. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que trabalha com a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte). O delegado Antônio Carlos Garcia, responsável pelo inquérito, disse que o suspeito é um jovem de aproximadamente 18 anos e que foi visto por moradores saindo da residência no domingo, por volta das 6h30.

O jovem utilizou o carro da vítima para deixar o local. “Diversas testemunhas relataram que viram um rapaz deixando a casa, logo cedo. O local foi encontrado revirado, com vários objetos espalhados pela casa. Alguns estavam em uma sacola preparados para serem levados. Mas acho que o suspeito ficou com receio pela movimentação de pessoas e acabou deixando na sala. Por isso o caso passou de homicídio para latrocínio”, declarou o delegado.

Ainda não há informações sobre a identificação do suspeito. O delegado ressalta que está apurando se o rapaz seria um garoto de programa contratado pelo professor ou alguém com quem ele já vinha mantendo relacionamento. No entanto, informou que o garoto já foi visto outras vezes saindo da residência da vítima. De acordo com o delegado, a equipe de perícia conseguiu recolher fragmentos de impressões digitais para a possível comparação com algum suspeito. As buscas pelo veículo também estão sendo realizadas e até a publicação desta matéria ainda não havia sido localizado.

O delegado Antônio Garcia solicitou ainda informações da direção da escola a qual o professor trabalhava para verificar se o suspeito pode ser um possível aluno. Familiares informaram que o corpo do professor será enterrado em Sinop, a 503 km de Cuiabá.

Casos semelhantes
Em janeiro deste ano, um caso parecido foi registrado pela polícia. O professor Iltomar Rodrigues de Moraes, de 50 anos, etava desaparecido desde o dia 27 e foi encontrado morto no dia 30 do mesmo mês em um matagal próximo à MT-010, no Distrito de Nossa Senhora da Guia, em Cuiabá. Conforme as investigações, ele teria sido morto a facadas por um garoto de programa de 19 anos.

No dia 14 de março um dançarino de 38 anos também foi morto a facadas no Bairro Boa Esperança, em Cuiabá. Na ocasião, um rapaz de 18 anos foi preso. Ele disse ter sido contratado para fazer um programa com a vítima e houve desentendimento. Durante a discussão, ele pegou uma faca e desferiu alguns golpes contra o dançarino.
 
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