Lésbicas brasileiras casadas com americanas comemoram maior acesso a visto dos EUA

O secretário de Estado americano anunciou que os pedidos de casais do mesmo sexo residentes fora do país devem ser tratados como os solicitados por héteros.

Publicado em 02/08/13 às 23:25

Por Bernado Barbosa

Michele Castro (à esq) abraça a companheira Alison Medina (à dir) em seu casamento no Brasil

Foto: Reprodução/Internet

Michele Castro (à esq) abraça a companheira Alison Medina (à dir) em seu casamento no Brasil
A inclusão garantida pela derrubada, na Suprema Corte americana, da lei que limitava o casamento à união entre um homem e uma mulher, se estende agora aos casais do mesmo sexo que vivem fora dos Estados Unidos e querem entrar e sair do país livremente. O secretário de Estado americano, John Kerry, anunciou ontem, em Londres, que os pedidos de visto feitos por casais do mesmo sexo residentes fora dos EUA deverão ser tratados pelos consulados do país da mesma forma que os solicitados por casais de sexo oposto. A decisão promete dar fim à agonia dos que, privados de direitos, se viram obrigados a sacrifícios - abrir mão do trabalho, da carreira, da convivência com amigos e familiares - para poderem ficar com a pessoa amada.

A novidade segue medida similar adotada no fim do mês passado por autoridades de imigração americanas, as responsáveis por pedidos de visto permanente - o chamado green card - feitos dentro dos EUA. Então, qualquer casal do mesmo sexo formado por um americano e um estrangeiro, residente nos EUA, passou a ter os mesmos direitos de heterossexuais em questões de imigração. Agora, isso vale também para casais do mesmo sexo formados por americanos e estrangeiros, mas que vivem fora dos EUA.

"Qualquer casal será tratado da mesma forma, é o que acreditamos ser adequado" declarou Kerry.

‘Finalmente, me senti incluída’
Não são poucas, nem fáceis, as histórias de quem teve que contornar a falta de igualdade de direitos para estar junto de quem se ama. A americana Melanie Servetas deixou parentes, amigos e o cargo de vice-presidente em uma grande empresa para poder viver ao lado de Cláudia Amaral no Rio de Janeiro. No Brasil, casaram e tocam juntas uma empresa de manutenção de computadores. Mesmo com o casamento igualitário liberado nos EUA, precisaram pedir autorização às autoridades consulares apenas para que Cláudia pudesse solicitar o green card.

"Nos disseram que o processo se estenderia por pelo menos oito meses. Agora, nossa esperança é de que tudo corra mais rápido" contou Melanie, em lua de mel com Cláudia nos EUA.

Casadas desde abril do ano passado no Brasil, a americana Alison Medina, professora de inglês, e a brasileira Michele Castro, cantora, também estão com expectativas renovadas. Na segunda-feira, Michele dará entrada no pedido de seu green card depois de, no ano passado, ter o visto de turista recusado.

"Acharam que ela ia querer ficar lá. Nunca consegui levar a Michele para os EUA" contou a professora.

Para a brasileira, a satisfação vai além da chance de obter o documento.

"O maior problema para qualquer pessoa é estar em uma situação de exclusão. Finalmente, me senti incluída. O mais importante é não se sentir presa no Brasil. Temos amigos e parentes nos EUA" conta.

A diretora-executiva da ONG baseada em Washington Immigration Equality, Rachel Tiven, avaliou que o anúncio de Kerry é uma notícia muito boa para os direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais em todo o mundo.

"Muita gente foi forçada a decidir entre ficar com a pessoa que ama ou continuar em seu país. Esperamos agora que o Departamento de Estado treine seus funcionários para atender a esse casais e famílias" disse Rachel.
 
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