Delegado diz que não descarta pedir prisão de pai homofóbico que bateu no filho

O pecuarista de 46 anos foi indiciado pelos crimes de tortura e injúria. Segundo a polícia, o agressor ficou em silêncio durante depoimento.

Publicado em 02/08/13 às 20:24

Por Nadyenka Castro

Ferimentos causados pelo pai na perna do filho de 16 anos. (Foto: Reprodução/TV Morena)

Foto: Reprodução/TV Morena

Ferimentos causados pelo pai na perna do filho de 16 anos
O pecuarista indiciado por ter agredido o filho gay em Três Lagoas, distante 338 quilômetros de Campo Grande, pode ser preso caso pratique alguma violência contra a família. A informação é do delegado de Polícia Civil responsável pelo caso, Paulo Henrique Rosseto de Souza.

Como o agressor não foi preso em flagrante, ele só pode ir à cadeia caso a Justiça expeça um mandado, que pode ser pedido pela Polícia Civil. “Se houver eventuais fatos novos, se ele vier a ameaçar a família, por exemplo, não descarto a possibilidade de pedir a prisão”, afirmou a autoridade policial.

O garoto de 16 anos está com machucados nas pernas e no rosto. Ele ficou hospitalizado na segunda e na terça-feira, voltou à unidade de saúde na quinta-feira devido às dores, foi atendido e liberado, conforme informou o delegado, que aguarda os laudos periciais para concluir o caso.

Homofobia
De acordo com divulgado pela Polícia Civil, as agressões aconteceram na madrugada de segunda-feira (29), em três locais diferentes. A primeira, na casa da família. O homem de 46 anos e 120 quilos, conforme informações da polícia, trancou o filho em um quarto sem energia elétrica, bateu no rosto dele, o jogou no chão, subiu em cima e continuou a desferir tapas.

Para dar fim à situação, a mãe do adolescente e o irmão levaram o garoto para a casa da avó. O pai chegou ao local em seguida e mais uma vez torturou o filho, segundo informou a mulher à Polícia Civil.

Depois disso, o pecuarista colocou o garoto no carro, amarrou as pernas dele e o levou para o hospital. No caminho, aconteceu a terceira agressão. O pai ameaçou jogar o menino do veículo e arrastá-lo no asfalto caso não mudasse a orientação sexual.

O Conselho Tutelar foi acionado e encaminhou o caso à Polícia Civil. Segundo o delegado, o hospital não avisou à polícia que havia um paciente vítima de violência e o motivo disso será apurado.

De acordo com Paulo Henrique Rosseto, testemunhas, vítimas e o indiciado pelos crimes de tortura e injúria já foram ouvidos. A mãe do adolescente relatou ainda à polícia que também foi agredida verbalmente pelo marido e pediu medidas protetivas contra ele.

O pecuarista foi à delegacia de Polícia Civil acompanhado de advogado e optou em permanecer em silêncio. Conforme o delegado, o menino afirma que é gay e que foi esta a razão da agressão do pai.
 
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