Garoto de 16 agredido pelo pai homofóbico está em tratamento psicológico

Adolescente ficou internado no hospital de Três Lagoas. Laudo aponta que lesões são de natureza leve.

Publicado em 14/08/13 às 17:22

Por Nadyenka Castro

Foto: Reprodução/TV Morena

Ferimentos causados no jovem foram considerados leves
Está em tratamento psicológico o adolescente de 16 anos que, de acordo com a polícia, foi agredido pelo pai há três semanas em Três Lagoas, 338 quilômetros de Campo Grande. Segundo a mulher, o garoto já voltou à escola, “está traumatizado” e desde que contou à família sobre sua orientação sexual, é alvo de humilhações. O caso é tratado como homofobia.

Conforme a Polícia Civil, o menino foi agredido pelo pai na madrugada do dia 29 de julho, na própria casa, depois na residência da avó e por fim a caminho do hospital, onde ficou um dia internado.

Testemunhas, o garoto, a mãe e o pai foram ouvidos. De acordo com a polícia, à exceção do pecuarista de 46 anos, que ficou em silêncio, os demais confirmaram que o adolescente foi agredido devido à orientação sexual.

O pecuarista foi indiciado pelos crimes de tortura e injúria e pode ter a prisão pedida caso volte a praticar algum ato de violência. Mãe e filho pediram medidas protetivas e saíram da casa da família.

Segundo o delegado Paulo Henrique Rosseto, exame de corpo de delito no rapaz apontou que as lesões que ficaram no rosto e nas pernas dele são leves. O delegado disse ainda que o inquérito deve ser concluído nesta quinta-feira.

Terapia
Conforme a mãe do adolescente, ele passou a ser alvo de preconceito do pai em fevereiro de 2012, quando contou que era gay. Desde então, fala a mulher, foram vários atos de violência, mas, “dessa vez foi pior”. Nesses 18 meses, conta ela, o filho emagreceu 60 quilos. “Ele pesava 90 quilos, agora, pesa 50”. diz.

Agora, segundo a mãe, o menino voltou à escola e faz terapia. “Tudo isso afetou o psicológico dele. Eu estou pagando o tratamento para ele”, afirma a mulher. “Ele não pode ver uma camionete, com medo de ser o pai dele”, cita como exemplo de trauma devido às agressões.

Para a mulher, a violência é resultado do preconceito que o pecuarista tem. “É um preconceito do pai dele”. Agora, ela diz que espera “que a justiça seja feita” e que o ex-marido não se aproxime dela nem do filho.
 
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