Transexual de Uberaba consegue mudar nome e gênero na identidade

Bailarina Mirella dos Santos fez a alteração do documento há dois meses. Próximo passo é se submeter à cirurgia de readequação sexual.

Publicado em 23/08/13 às 13:20

Por Fernanda Resende

Foto: Alliny Araújo/Arquivo Pessoal

Bailarina exibe nova carteira de identidade.
Vitoriosa. É assim que a bailarina de Uberaba Mirella Ferreira dos Santos, de 22 anos, se sente atualmente. Desde que nasceu a transexual teve que carregar nome e gênero sexual masculino na carteira de identidade e há dois meses conseguiu reverter a situação. Com a mudança no documento, a uberabense contou que já não enfrenta mais problemas sociais e acredita que foi a primeira a conseguir esse feito na cidade.

Mirella Ferreira sempre apresentou mais características femininas do que masculinas. Ela contou que desde a infância se sente mulher e que ter conseguido trazer esse sentimento para o documento foi muito importante. “Mesmo sendo bem visível que eu era mais menina do que menino, minha mãe não aceitava a situação. Minha família é evangélica e sofri muito preconceito em casa. Naquela época as pessoas acreditavam que filho afeminado era falta de punição e eu apanhei muito”, relembrou.

Aos 15 anos Mirella Ferreira saiu de casa para assumir para a sociedade quem ela era verdadeiramente, por dentro e por fora. As roupas masculinas foram trocadas por modelos justos e femininos. Já os sapatos ganharam saltos e cores.

Apesar da mudança física, a bailarina frisou que enfrentou dificuldades para se identificar como transexual na adolescência e por muitas vezes buscou respostas para os questionamentos que bombardeavam diariamente a mente. Ela afirmou que o processo ficou um pouco mais difícil de ser compreendido devido à falta de instrução e esclarecimento das pessoas sobre o assunto.

A jovem só foi descobrir em Tocantins (TO), durante estadia em Palmas, que existia a possibilidade de entrar com um pedido na Justiça para mudar os documentos oficiais. Depois de analisar o assunto, ela não hesitou e procurou por seus direitos. Não demorou nem um ano para que a identidade fosse trocada. “Não houve dificuldades porque não tenho características que remetam ao sexo masculino. Quando a juíza olhou para mim disse que nunca esteve diante de uma verossimilhança tão grande como aquela”, frisou.

Há dois anos Mirella Ferreira iniciou um tratamento e acredita que em breve irá se submeter a uma cirurgia de readequação sexual. Ela afirmou que o processo é burocrático, mas que aguarda ansiosa para mais uma etapa de realizações.
 
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