Travestis vão à polícia e 'fogem' por temer represálias em Piracicaba, SP

Vítimas dizem que são ameaçadas e precisam pagar R$ 40 pelo 'ponto'. Antes de escrivão terminar boletim de ocorrência, 4 fugiram com medo.

Publicado em 07/08/13 às 21:12

Gay1 SP

Travestis dão depoimento à política na noite de terça em Piracicaba (Foto: Valter Martins/Piracicaba em alerta)

Foto: Valter Martins/Piracicaba em alerta

Travestis dão depoimento à política na noite de terça em Piracicaba
Quatro travestis, de 21, 24, 31 e 33 anos, procuraram a Polícia Civil para fazer um boletim de ocorrência de extorsão na noite desta terça-feira (7), em Piracicaba (SP). Elas disseram que são ameaçadas e precisam pagar R$ 40 por dia para fazer programa na Rua Governador Pedro de Toledo, na área central da cidade. Antes de o escrivão terminar o registro, as quatro foram embora com medo de represálias.

No documento, as vítimas relataram ainda que o suspeito de fazer a extorsão namora outra travesti, conhecida por ter um veículo Citroen Aircross, na cor branca. O casal, na noite de terça, ameaçou as quatro com arma de fogo. A dupla exigia o valor estipulado para fazer programa no local.

Durante a elaboração do boletim de ocorrência, as vítimas ficaram com medo de represálias e saíram da delegacia sem terminar o registro. Outras seis travestis também procuraram o plantão policial, mas não chegaram a ser qualificadas no documento, pois deixaram o plantão.

Foto: Thomaz Fernandes

Jonny dos Santos é suspeito de matar a travesti Abelha de Piracicaba
Disputa por comando
A disputa do comando da prostituição na Rua Governador Pedro de Toledo tem gerado apreensão entre travestis que trabalham no local. Em abril deste ano, seis profissionais do sexo foram alvos de atentados a tiros. Não houve feridos, mas as travestis não descartam relação entre os ataques e a morte de uma outra travesti conhecida como Abelha, que durante 30 anos coordenou uma pensão usada para prostituição no bairro Verde.

No mês passado, a Polícia Civil de Piracicaba prendeu o principal suspeito de assassinar a travesti Abelha, cujo nome de batismo era Adilson Felippe. Jonny dos Santos, de 24 anos, foi reconhecido como um dos autores dos disparos que mataram a dona da pensão onde vivia a maioria das travestis do Centro da cidade.
 
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