Homem que esfaqueou outro por jogar beijo no metrô é acusado de homicídio

Agência EFE

A promotoria do condado de Queens, em Nova York, informou nesta quarta-feira que Steven Torres foi formalmente acusado pelo assassinato do colombiano Ever Orozco, de 69 anos, a quem apunhalou em uma estação de metrô na segunda-feira.

Torres, de 22 anos, confessou à polícia ter apunhalado Orozco porque segundo ele o idoso o teria lançado um beijo, foi levado à corte e acusado de assassinato em segundo grau e posse de arma que podem render até 25 anos de prisão. O jovem teve o pedido de fiança negado.

A acusação não foi agravada para crime de ódio porque, segundo a promotoria, não haveria evidências suficientes.

A esposa da vítima, Alba Orozco, garantiu que Torres mente sobre a sexualidade de seu marido, com quem estava casada há quinze anos. Ambos tinham filhos de relacionamentos anteriores.

'Ele amava as mulheres. O homem que fez isso mente', disse ao jornal 'New York Daily News' a viúva, que contou que Orozco tinha acabado de sair de uma consulta médica.

O acusado é reincidente. Em 12 de setembro Torres feriu com uma arma branca seu colega de trabalho Miguel González, de 47 anos, pelos mesmos motivos que usou para justificar ter esfaqueado Orozco até a morte.

González, que ficou ferido nos braços, sobreviveu ao ataque e por não ter dado queixa, não sofreu nenhuma acusação.

Um grupo de legisladores do Queens repudiou hoje o crime durante uma entrevista coletiva. Acompanhados de membros da comunidade LGBT local, alertaram sobre a necessidade de educar a comunidade e trabalhar com a polícia para pôr fim aos crimes de ódio.

'É infeliz, inadmissível. Não há nenhuma justificativa para atacar um inocente por achar que ele é homossexual', disse a vereador Julissa Ferreras.

O vereador Daniel Dromm, assumidamente gay, alertou que se Torres 'ou qualquer outra pessoa acha que alegar ser vítima sexual de alguma maneira justifica cometer crimes, estão equivocados'.

O senador Jose Peralta disse que 'o que a comunidade não tolera é o ódio', enquanto o deputado estadual Francisco Moya expressou sua preocupação com o aumento desse tipo de crime, especialmente no Queens.

A organização 'New York City Anti-Violence Project', que oferece assistência à comunidade lésbica, gay, bissexual, travestis, transexual, e para LGBTs contaminados com o HIV expressou também seu repúdio e preocupação porque, com Orozco, já são três as pessoas assassinadas por homofobia este ano.
 
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