LGBTs querem ser bem tratados nas férias, diz líder de órgão de turismo ao público

Associação lista agências e hotéis que prometem atender sem preconceito. Maior feira do setor no país tem pela 1ª vez área para turismo LGBT.

Publicado em 06/09/13 às 09:51

Por Flávia Mantovani

Foto: Flávia Mantovani

Marta Dalla Chiesa, presidente da Abrat GLS.
Enquanto houver preconceito contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais no país, será necessário ter hotéis, companhias aéreas e passeios que se declarem “gay-friendly” ou sem preconceito, para que LGBTs tenham garantia de que serão bem tratados durante as férias, defende a presidente da Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes (Abrat GLS), Marta Dalla Chiesa.

A Abrat GLS é uma das participantes da Abav - Feira das Américas, maior feira de turismo da América Latina, que ocorre em São Paulo até este domingo (8). O evento é realizado há 41 anos, mas é a primeira vez que dedica uma parte separada para o turismo LGBT, concentrando expositores nacionais e internacionais.

Desde 2004, quando foi criada, a Abrat GLS cadastra empresas que queiram receber o selo “gay-friendly”. Elas assinam um termo de ética se comprometendo a atender ao público sem preconceito. Muitas também recebem treinamento da associação.

Para Marta Dalla Chiesa, muitas e muitos LGBTs dão preferência a esses lugares para evitar situações desagradáveis.

“A comunidade gay quer se sentir à vontade nesses momentos de lazer, ser bem recebida e ter férias tão relaxantes quanto qualquer outra pessoa. E o preconceito existe,de maneira sutil ou escancarada”, diz.

Foto: Divulgação/Pestana

O Pestana Rio Atlantica, no Rio de Janeiro; a rede de hotéis está na lista dos estabelecimentos 'gay-friendly'.
Inclusivo, mas não exclusivo
Atualmente, são cerca de cem associados, entre agências de viagens, hotéis, companhias aéreas e empresas de receptivo. Poucos são dedicados exclusivamente ao público LGBT – caso do cruzeiro Freedom on Board, da Royal Caribbean.

Entre as grandes empresas e instituições na lista, estão a Rede Pestana de hotéis, a locadora de veículos Movida, as companhias aéreas Gol e Tam, o Ministério do Turismo de Israel e a SP Turis (empresa de turismo e eventos da cidade de São Paulo).

“Para nós, ser ‘friendly’ é importante, ser exclusivo, nem tanto. A tendência mundial é para esse turismo misto, que recebe bem todo mundo, inclusive os gays”, diz Marta.

Os poucos estudos que existem sobre esse mercado no Brasil comprovam que o consumidor brasileiro LGBT tem perfil parecido ao do internacional: viaja muito, dentro e fora de temporada, e tem muito dinheiro disponível para gastar nas viagens.

Ela diz que esbarra em dificuldades para convencer os empresários a se associarem e principalmente a divulgarem a iniciativa. “O empresariado brasileiro tem medo de perder clientes com isso, mas nós tentamos mostrar que esse medo é infundado, que se ganha um público leal e que não se perde.”
 
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