Maioria de crimes contra LGBT não é denunciada, indica estudo britânico

Três quartos das vítimas no Reino Unido não registram queixa na polícia por temor de como serão tratados e de que caso não seja solucionado.

Publicado em 16/10/13 às 12:00

Por JAMIE GRIERSON, DO INDEPENDENT

Foto: Reprodução

Uma em cada dez vítimas de crime homofóbico sofreu agressão física, segundo relatório do grupo Stonewall.
Mais de três quartos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais não registram queixa na polícia. As vítimas temem não ser levadas a sério e que a polícia não possa ajudar muito, indica um estudo divulgado em Londres pelo Stonewall, grupo que busca a igualdade de direitos.

Metade daqueles que denunciam não fica satisfeita com a maneira como o assunto é lidado, e menos de uma em cada dez vítimas entrevistadas contou que o caso terminou em condenação.

“Crimes de ódio homofóbico: pesquisa sobre o crime contra gays britânicos 2013” foi conduzido pelo instituto de sondagens YouGov, e ouviu mais de 2.500 pessoas no Reino Unido, suas experiências como alvo de agressões e incidentes.

Alex Marshall, diretor-executivo do corpo de padrões profissionais do College of Policing, entidade de apoio às polícias de Inglaterra e Gales, acredita que os resultados da pesquisa fornecem uma oportunidade significativa de melhorar a resposta da polícia a crimes homofóbicos.

"Há mais a fazer e estamos comprometidos a trabalhar com os comissários para garantir um melhor serviço às vítimas" disse Marshall.

Uma em cada dez pessoas vítima de homofobia, lesbofobia, bifobia ou transfobia foi agredida fisicamente, mostra a pesquisa, enquanto quase uma em cada cinco foi ameaçada com violência ou o uso de força.

Uma em cada oito teve um contato sexual forçado, e também uma em oito teve a casa, o carro ou algum bem vandalizado.

Assédio, insultos e intimidação são as agressões mais comuns, relatados por oito em cada dez vítimas.

"Os números mostram níveis perturbadores de violência e intimidação enfrentados diariamente por gays, lésbicas e bissexuais no Reino Unido" disse a vice-diretora-executiva do Stonewall, Ruth Hunt. "O fato de dois terços das vítimas não terem contado a ninguém mostra o tamanho do desafio diante do nosso sistema judiciário".

Para a deputada trabalhista Gloria De Piero, o estudo mostra que, em um momento em que o casamento entre pessoas do mesmo sexo passa no Parlamento britânico, muitos ainda enfrentam abusos diariamente em função de sua sexualidade.

"Há pouca informação entre a polícia e profissionais da Justiça sobre a natureza e a seriedade dos crimes homofóbicos" considerou Di Piero.
 
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