Em quase duas semanas, dez LGBTs foram vítimas de homolesbotransfobia no DF

Aumento de 431,11% casos na capital segundo a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Publicado em 28/02/14 às 22:18

Do Gay1 DF

Foto: Getty Images

A homolesbotransfobia matou 310 em 2013, segundo relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB).
Casos de preconceito contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) são frequentes no Distrito Federal. A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República mostra aumento de 431,11% nas ocorrências brasilienses — subiu de 45, em 2011, para 239 no ano seguinte.

Em quase duas semanas, dez LGBTs foram vítimas no DF. Em Taguatinga, uma travesti foi morta com dez tiros na quarta-feira (19). De acordo com a Polícia Civil, ela era conhecida como Paulete. Nos dias seguintes, mais uma travesti foi assassinada na W3 norte e outra encontrada esfaqueada na Rodoviária do Plano Piloto.

No domingo (23), um jovem de 17 anos foi agredido e teve a perna quebrada em Planaltina pelo pai ao encontra foto de beijo com o namorado do filho no celular.

Na terça-feira (25), duas lésbicas de 22 e 24 anos, foram espancadas depois de discutir com um rapaz que chamou uma delas de “sapatona” em um restaurante do Setor Comercial Sul.

E na madrugada desta sexta-feira (28), mais quatro lésbicas foram espancadas na área externa de um bar de Brasília depois que um rapaz confundiu uma das moças com um homem e achou que ela teria "dado em cima" da moça que o acompanhava.

Há três meses, o professor de inglês Flávio Brebis, 42 anos, foi alvo de dois jovens, em Taguatinga, por causa da orientação sexual. “Xingaram-me de ‘viadinho, gay, boiola’. Um deles só não me bateu porque tinha muita gente em volta, e o outro o conteve”, conta.

Foto: Arquivo/Gay1

Fabiana Ferreira diz que homofobia tem aumentado devido discursos carregados de preconceito de fundamentalistas.
Para Fabiana Ferreira, ganhadora do Prêmio de Cidadania e Direitos Humanos em 2013, a homofobia tem aumentado devido discursos carregados de preconceito de fundamentalistas. "Não podemos deixar que posicionamentos homofóbicos de uma pequena parte da sociedade seja motivos para o aumento do sofrimento do próximo pelo simples fato de amar", diz a assessora parlamentar que trabalha por um DF sem preconceito.

Michel Platini, do Grupo Estruturação LGBT de Brasília, ressalta que a homofobia não vitimiza apenas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. “Nós já vimos pai e filho serem confundidos com homossexuais, e, por isso, serem vítimas de violência gratuita”, lamenta Platini.

Hernanny Queiroz, conselheiro de juventude pela temática LGBT, reafirma a importâncias de leis que pune discriminação baseada na orientação sexual ou identidade de gênero. "Para que parte da sociedade seja tratada como igual aos demais é preciso dar privilégios, isso acontece com a lei do racismo, lei maria da penha. Por isso, precisamos da regulamentação da lei 2.615 que faz 14 anos que foi aprovada pela Câmara Legislativa Distrital e um ano que foi regulamentada e revogada em menos de 24 horas pelo governo Agnelo cedendo a pressão de religiosos fundamentalistas", lembra o jovem.
 
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