Fãs de Lady Gaga usam música para combater bullying e homofobia

O 1° Flash Mob Contra o Bullying e a Homofobia, ocorreu no Museu Nacional da República, em Brasília.

Publicado em 03/02/14 às 13:39

Agência Brasil

Foto: Hernanny Queiroz/Gay1

Lucas Yukin encontro na música sua superação.
Aos 16 anos, o estudante Lucas Yukin foi expulso de casa pelos pais adotivos após sair do armário. Depois disso, passou dias dormindo no cemitério. A experiência gerou traumas que ficaram ainda mais intensos com os casos de bullying sofridos nas ruas, também devido a sua orientação sexual. O jovem chegou a ser alvo de ameaças com armas de fogo.

A situação só começou a melhorar quando ele viu que o número de vítimas do mesmo tipo de preconceito era maior do que imaginava, e percebeu que poderiam agregar forças contra o preconceito. Descobriu também outro fator que tinha em comum com as outras vítimas: a música.

“Só encontrei o conforto que não tinha com a minha família, no fã-clube de uma artista que sempre defendeu a bandeira homossexual”, disse ele, hoje com 18 anos, referindo-se ao Haus of Little Monsters Brazil, fã-clube da cantora norte-americana Lady Gaga. Representante do fã-clube, Clarice Gulyas explica que o grupo é integrado principalmente por LGBTs, que, por compartilharem histórias como a de Lucas, passaram a organizar, também, ações sociais de combate ao bullying e à homofobia.

Uma dessas ações, o 1° Flash Mob Contra o Bullying e a Homofobia, ocorreu no último domingo (1º) no Museu Nacional da República, em Brasília, envolvendo cerca de uma centena de jovens. Entre eles, Yuri Turate, de 20 anos. “Por causa das agressões que sofri e, em especial, a uma que foi direcionada a mim, mas que acabou ferindo a amiga grávida que estava ao meu lado, tenho de tomar antidepressivos até hoje”, disse o estudante que, na época, tinha 14 anos.

“Eu era magro e, de certa forma, afeminado. Isso incomodava muito outros estudantes. Como a escola não tinha nenhum tipo de preparo para lidar com a situação, acabei reprovando. Era um ambiente muito pesado e desinteressante. Difícil mesmo”, disse ele à Agência Brasil. “Além disso, eu tinha um pai homofóbico. Mas felizmente conseguimos contornar esse preconceito e hoje tenho, em minha casa, um ambiente de respeito e paz”, acrescentou.

Foto: Hernanny Queiroz/Gay1

Manifestação contra bullying e homofobia em frente ao Museu Nacional da República.
Yuri é um dos fundadores do Haus of Little Monsters Brazil. Nas ações sociais promovidas pelo fã-clube, busca ajudar a sociedade – e em especial os pais de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais – a lidar com situações similares à vivida por ele e por Lucas.

“As conversas [sobre homossexualidade] têm de ser abertas e respeitosas. Os pais precisam entender também o tempo em que vivem os filhos. E se tiverem dificuldades para aceitar uma realidade diferente da que eles esperavam, é importante buscar apoio com psicólogos ou se informarem, porque nem tudo é o que parece ser. A coisa é muito mais simples do que parece”, argumenta Yuri.

Foto: Hernanny Queiroz/Gay1

Fãs de Lady Gaga dançam e fazem coreografia ao som da cantora norte americana.
 
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