Uganda perde empréstimo para saúde no valor de US$ 90 mi por lei 'antigay'

Este é o quarto corte substancial que o país sofre desde que aprovou a lei.

Publicado em 27/02/14 às 22:34

Do Gay1, com Agências Internacionais

O Banco Mundial negou nesta quinta-feira (27) um empréstimo no valor de US$ 90 milhões para a Uganda, três dias após o presidente Yoweri Museveni assinar uma controversa lei que transforma a homossexualidade em crime, em uma reprimenda incomum para uma instituição financeira --que, normalmente, não interfere na soberania política dos países.

O montante do empréstimo seria destinado a melhorias no sistema de saúde da Uganda. Em nota, o banco confirma a negativa: "Decidimos postergar o projeto, que será reavaliado futuramente, com o intuito de assegurar que seus objetivos não serão afetados pela promulgação da nova lei".

Este é o quarto corte substancial que o país sofre de segunda-feira (24) --quando a lei foi assinada-- para cá. Antes disso, a Holanda, a Noruega e a Dinamarca também negaram oferta de ajuda.

Além de negativas, o país tem recebido respostas duras da comunidade internacional. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediram que a Uganda revogue a lei.

Já os EUA, na figura do secretário de Estado John Kerry, compararam a lei que criminaliza as relações entre pessoas do mesmo sexo com as políticas antissemitas da década de 1930 da Alemanha nazista e a segregação racial do "apartheid" imposta pela minoria branca na África do Sul até 1990. Mais do que isso, os americanos informaram que irão rever o trato com a Uganda.

"O enfoque dessa legislação poderia ser mudado para judeu, ou negro, e poderia estar na Alemanha de 1930, ou na década de 1950-60 do Apartheid da África do Sul", disse Kerry para um grupo de jornalistas em Washington, e classificou a atitude do presidente ao assinar o projeto como "imoral".

Foto: Reprodução/Twitter

Gay é queimado vivo em Uganda.
Gay queimado vivo
As coisas continuam piorando para gays e lésbicas da Uganda. Após a aprovação da lei e da publicação feita pelo jornal local Red Pepper com o nome de 200 homossexuais, foi divulgada no twitter na última quarta-feira (26) uma foto de um homem sendo queimado vivo.

Na imagem, que foi retuitada mais de 8.000 vezes, é possível ver que o ato aconteceu na frente de diversas crianças. A ONU ainda não se pronunciou sobre o ocorrido.
 
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