Escola é condenada a pagar R$ 150 mil a aluno perseguido por ser gay

Colégio em Barcelona não fez esforços para coibir bullying ou intolerância.

Publicado em 18/06/14 às 15:33

Do Gay1, com agências internacionais

Uma escola em Barcelona, na Espanha, foi condenada nesta semana a pagar o equivalente a cerca de R$ 150 mil de indenização a um ex-aluno que teria sido perseguido por ser gay. De acordo com a sentença, o colégio Nossa Senhora de Montserrat de Cerdanyola foi omisso ao não prevenir o assédio de outros colegas contra a vítima, identificada apenas como J.M.M.. A unidade informou que vai recorrer da decisão. As informações são do jornal "El País".

No processo, o estudante alegou ter sofrido bullying e perseguição por professores e colegas de turma entre 2004 e 2009, quando deixou a unidade. Segundo ele, colegas o chamavam frequentemente de “bicha” e “marginalizado”. A vítima também informou que chegou a receber cotoveladas perto de uma escada da escola, na tentativa de fazê-lo cair.

Em uma viagem da turma a uma área natural em 2007, por exemplo, a vítima diz que alguns colegas tentaram jogá-lo do veículo. A escola, por sua vez, admite que houve "pequenos incidentes" naquele dia, mas negando a versão do aluno porque o jipe em que viajava a classe "era totalmente fechado".

Depois dos episódios, a mãe do aluno alertou a direção da unidade para os problemas. A escola realizou algumas medidas, como conversar com as famílias dos estudantes que perseguiam a vítima e realizar palestras sobre a intolerância. No entanto, de acordo com o juíz autor da sentença, "em nenhum caso foram tomadas medidas de controle e vigilância das crianças, nem qualquer ação disciplinar".

Alguns professores chegaram a minimizar o que aconteceu e atribuíran a briga a um casp “típico de adolescentes”. O diretor do colégio Nossa Senhora de Montserrat também negou em um relatório interno que houvesse assédio contra J.M.M., e que ele “exagera os fatos que acontecem na escola”. A vítima, segundo o diretor, ainda demonstrava ser pouco tolerante com seus colegas, o que contribuía para o “pouco aceite” dele no grupo. Ele também achava que o aluno era "superprotegido" pela mãe. No tribunal, o diretor disse ainda que não sabia que a orientação sexual do aluno e que via contradições em algumas das declarações do menino.

De acordo com a vítima, a perseguição teria chegado ao seu clímax quando um colega de turma postou em um blog a foto do aluno com mensagens homofóbicas e ameaças de morte. Diante disso, J.M.M. abandonou a escola e ficou por 900 dias em tratamento psiquiátrico, que custou à família os R$ 150 mil que a escola deve agora pagar.
 
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