Pesquisa nos EUA afirma que lésbicas e gays fumam e bebem mais do que os héteros

Trata-se do primeiro levantamento do governo que mede orientação sexual do país.

Publicado em 16/07/14 às 23:02

Do Gay1

Foto: Getty Images

Uso de tabaco é maior entre lésbicas e gays.
O Centro de Controle de Doença e Prevenção relatou que menos de 3% da população dos Estados Unidos se identificam como lésbicas, gays ou bissexuais, no primeiro levantamento de grande escala do governo medindo orientação sexual no país.

A National Health Interview Survey, que é a principal ferramenta do governo para assessorar a saúde e o comportamento de americanos, descobriu que 1,6% dos adultos se identificam como gay ou lésbica, e 0,7% se consideram bissexuais.

Na pesquisa, 96,6% dos adultos se classificaram como héteros. Já 1,1% se negou a responder, disse somente "eu não sei a resposta" ou afirmou que eram "outra coisa".

A inclusão de orientação sexual em uma pesquisa influente usada para guiar financiamento do governo foi vista como uma vitória pelo movimento LGBT, que tem lutado com a falta de dados sobre as suas necessidades especiais de saúde.

O demógrafo do Instituto Williams, um centro de pesquisa da Universidade da Califórnia em Los Angeles que estuda a população LGBT, disse que esse é um grande passo na tentativa de sanar algumas das lacunas da compreensão do papel que a orientação sexual e a identidade de gênero têm na vida e na saúde das pessoas.

A pesquisa federal, iniciada em 1957, dispõe um amplo leque de questões sobre temas como atendimento médico, vacinação e uso de tabaco. Milhares de americanos são entrevistados pelo CDC e pelo Census Bureau. O resultado é altamente respeitado pelo tamanho da amostra - é composta por 33.557 adultos entre as idades de 18 e 64 no levantamento mais recente - e pelo método utilizado, que incluem entrevistas face-a-face e algumas consultas telefônicas de acompanhamento.

Segundo autoridades de saúde do governo, algumas outras pesquisas federais perguntam sobre orientação sexual, mas não são grandes o suficiente para fornecer dados que possam ser generalizados para o país como um todo.

O estudo não encontrou um padrão sugerindo que um grupo era menos saudável do que qualquer outro grupo, de acordo Brian W. Ward, o pesquisador responsável pelo relatório. No entanto, verificou-se que, em comparação com as pessoas heterossexuais, homossexuais eram mais propensos a fumar e consumir cinco ou mais bebidas em um dia pelo menos uma vez no ano passado. Mulheres heterossexuais estavam mais propensas a acreditarem que estão em excelente ou muito boa saúde do que as mulheres que se identificaram como lésbicas ou mulheres bissexuais.

Em contrapartida, lésbicas, gays e bissexuais mostraram que estavam mais propensos a terem recebidos uma vacina contra a gripe que héteros, e era menos provável que os gays e homens bissexuais estivessem acima do peso.

As disparidades mais notáveis foram com os bissexuais. Pessoas que se identificaram como sendo atraídas por ambos sexos estão mais propensas a experienciar estresse psicológico nos últimos 30 dias do que os héteros, mostrou a pesquisa.

"Nós não sabemos muito sobre bissexualidade e estamos finalmente começando a fazer pesquisas nessa área", disse Judy Bredford, diretora do Centro de Pesquisa em Saúde de População LGBT no Instituto Fenway em Boston.

No relatório, os pesquisadores do CDC reconheceram que a estimativa deles do tamanho da população bissexual se diferenciou daquela de outros estudos. A estimativa nacional de 2008 do General Social Survey - que é financiada pela National Science Foundation, uma agência federal dedicada ao avanço de ciência não-medicinal - estima-se que 1,1% da população foi identificada como bissexual. Outros estudos sugerem que o número de bissexuais praticamente coincide com o número de gays.

A pesquisa não perguntou sobre identidade de gênero, que é um tópico mais amplo que orientação sexual. Anteriormente, as autoridades haviam discutido, incluindo a questão em pesquisas futuras, mas Ward disse que não há planos imediatos para adicionar a essa pergunta.

Especialistas afirmam que a dificuldade decorre em parte do tamanho da amostra necessária. Um desafio é que existem mais de 200 termos utilizados por pessoas que se identificam como um sexo diferente do biológico que nasceram, de acordo com Bradford.
 
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