Casamento coletivo será mantido com casal de lésbicas após fogo em cidade gaúcha

Local que sediará celebração com casal de lésbicas foi alvo de incêndio. Celebração está marcada para sábado em Santana do Livramento.

Publicado em 11/09/14 às 10:54

Por Rafaella Fraga

Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

CTG foi incendiado na madrugada em Santana do Livramento.
Ainda abalado com o incêndio que atingiu o CTG de Santana do Livramento, que vai sediar o casamento comunitário onde um dos casais inscritos é de lésbicas, o patrão Gilbert Gisler, conhecido como Xepa, afirmou que, se depender dele, a celebração vai acontecer no sábado (13) no Sentinelas do Planalto. O local foi incendiado no início da madrugada desta quinta-feira (11).

“Vamos fazer a cerimônia de qualquer jeito. Da nossa parte, vamos cumprir com o que nos comprometemos. Não podemos dar o braço a torcer e se entregar para um ato desses”, afirmou o tradicionalista.

Ninguém ficou ferido, mas o fogo atingiu a parte interna da estrutura, justamente o palco, onde acontecerá o evento. A suspeita é de que tenha sido um ato criminoso, mas os fatos ainda serão apurados pela Polícia Civil.

O patrão, que também é vereador e presidente da Câmara Municipal de Livramento, já havia relatado à polícia que estava recebendo ameaças. “A gente recebeu ameaças, mas achava que não iam fazer nada, que era só boato. Mas infelizmente aconteceu”, lamentou.

A celebração segue marcada para este sábado (13). São 28 casais heterossexuais e um de lésbicas. Outro casal gay que participaria do casamento desistiu.

A ideia de celebrar a união em um CTG foi sugerida pela diretora do Foro de Livramento, juíza Carine Labres. Na decisão, a magistrada observou que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é um direito e que a cerimônia não tem o objetivo de "afrontar valores do tradicionalismo". A juíza ressaltou, porém, que quem manifestar preconceito poderá responder criminalmente.

Após o episódio, o presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), Manoelito Savaris, lamentou o ocorrido e diz respeitar os direitos das pessoas. Entretanto, diz que o CTG foi desfiliado do movimento há 9 anos.

"O MTG respeita o direito dos outros, das entidades. Mas não tem uma posição em relação ao fato, pois o CTG não é filiado ao MTG desde 2005. Caso isso acontecesse dentro de um CTG filiado, o Conselho do MTG, composto por 49 pessoas, iria se reunir para avaliar o assunto, a partir do Estatuto, Regulamento Geral, Código de Ética do MTG e Carta de Princípios", se manifestou, através de uma nota oficial.
 
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