Memorial a Steve Jobs é removido na Rússia após Tim Cook sair do armário

De acordo com os responsáveis pelo monumento em formato de iPhone, medida foi tomada em respeito à lei russa contra “propaganda gay”.

Publicado em 03/11/14 às 22:26

Do Gay1, com Agências Internacionais

Foto: Dmitry Lovetsky / AP

Monumento em homenagem a Steve Jobs na Rússia: removido após declaração de Tim Cook.
Um memorial em homenagem ao cofundador da Apple, Steve Jobs, foi desmontado na cidade russa de São Petersburgo depois que seu sucessor no comando da companhia, Tim Cook, se declarou gay publicamente em um artigo publicado na semana passada.

Com mais de dois metros de altura, o monumento tinha o formato de um iPhone e foi erguido no Parque Tecnológico da Universidade Nacional de São Petersburgo de Pesquisa em Informação, Tecnologia, Mecânica e Ótica, em São Petersburgo, em janeiro de 2013, por um grupo de empresas russas chamado União Financeira da Europa Oriental (ZEFS, na sigla russa).

No entanto, citando a necessidade de respeitar a lei de combate à “propaganda gay” em vigência na Rússia, a ZEFS emitiu um comunicado nesta segunda-feira informando que o memorial foi removido na sexta-feira passada — um dia após o diretor-executivo da Apple, Tim Cook, escrever em um artigo sobre ser gay.

“Na Rússia, a propaganda gay e de outras perversões sexuais entre menores é proibida por lei”, afirmou a ZEFS, observando que o memorial tinha sido colocado em “uma área de acesso direto por jovens estudantes e crianças em idade escolar”.

“Após o diretor-executivo da Apple, Tim Cook, publicamente ter pedido pela sodomia, o monumento foi retirado para cumprir a lei federal russa que protege as crianças de informações que promovam a negação dos valores tradicionais da família”.

Promovendo “valores tradicionais”, a lei russa foi assinada pelo presidente Vladimir Putin no ano passado e proíbe a disseminação daquilo que denomina como “propaganda gay” entre menores de idade. Apesar da iniciativa, Putin nega que haja descriminação contra LGBTs na Rússia, e afirma que a lei só foi necessária para proteger os mais jovens, embora membros da comunidade LGBT afirmem que a legislação tenha aumentado o numero de casos de homofobia no país.

Em seu artigo, publicado na quinta-feira passada, Tim Cook disse ter decidido falar sobre a sua homossexualidade para ajudar a promover os direitos civis para comunidade LGBT, confirmando algo que era amplamente conhecido no Vale do Silício, mas raramente discutido.

O presidente do ZEFS, Maxim Dolgopolov, que ordenou a remoção do monumento, expressou oposição a sanções pessoais em seu comunicado, mas apoiou a “proteção dos valores tradicionais” por lei.

"O pecado não deve se tornar a norma. Aqueles que pretendem violar as nossas leis não têm nada o que fazer na Rússia" afirmou.

A lei russa contra a “propaganda gay” causou revolta e protestos em diversos países do Ocidente, especialmente na fase de preparação do país para os Jogos Olímpicos de Inverno.

Também na semana passada, Vitaly Milonov, um legislador de São Petersburgo, que fez campanha contra os direitos LGBT e que estava entre os responsáveis pela lei assinada por Putin, afirmou que Tim Cook fosse banido na Rússia.
 
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