Após beijos, grupo foi vítima de lesbofobia em bar no Distrito Federal

Homem pediu a garotas que 'maneirassem' em beijos em 'bar de família'. Proprietário diz que cliente abordou grupo e pediu desculpas por confusão.

Publicado em 06/04/15 às 17:19

Do Gay1

Foto: Reprodução

O Bar Resenha fica na 410 Sul, em Brasília.
Jovens que celebravam um aniversário em um bar na 410 Sul, em Brasília, na noite de sexta-feira (4), dizem terem sido vítimas de lesbofobia por parte do dono do estabelecimento. De acordo com a aniversariante, Ludmila Toledo, de 24 anos, um homem que trabalha no local teria pedido para duas garotas que trocaram beijos em público para que "maneirassem", por se tratar de um espaço frequentado por famílias.

O relato da jovem, feito pelas redes sociais, ganhou dezenas de compartilhamentos e comentários de apoio.

"Fomos bem atendidos a noite toda, os garçons sempre muito educados", escreveu a jovem no perfil do estabelecimento. "Porém, infelizmente, como ainda é de praxe em muitos estabelecimentos em todo o Brasil, minhas amigas foram vítimas de lesbofobia por parte do dono do Resenha. Elas deram um mero beijo, e o 'digníssimo' senhor se prestou a levantar da mesa onde estava para dizer a elas que "maneirassem pois haviam famílias ali."

O dono do Resenha, Abdou Ghazal, disse que não estava no bar no momento da confusão e que é o único proprietário do espaço. Segundo ele, o homem que abordou o grupo é apenas um frequentador do local. "Tenho um cliente que criou uma amizade com o gerente e, querendo ajudar, às vezes, ele tem a liberdade de fechar contas", diz.

Ghazal diz que o homem esteve no bar neste domingo, pediu desculpas pela atitude e descreveu o ocorrido. "Tinha uma mesa grande, feita por reserva, que tinha gays, lésbicas e héteros e, parece que estavam se excedendo. Um cliente se incomodou e chamou uma pessoa responsável, que foi até a mesa e disse: 'tem como vocês maneirarem só um pouquinho?', e voltou para o lugar dele e sentou."

Ludmila afirma que os amigos não estavam tendo nenhum tipo de comportamento inadequado e que o homem passou o resto da noite encarando o grupo. "Além desse constrangimento, a noite inteira ele ficou olhando para a nossa mesa, com cara de reprovação, tentando intimidar", diz. "Outros amigos estavam beijando as namoradas também e ninguém falou nada com eles."

Segundo o grupo, o homem que pediu que o grupo se contivesse era responsável por fechar contas e usar a máquina de cartão.

Ludmila diz que nunca havia passado por situação parecida com os amigos em Brasília porque frequenta estabelecimentos 'amigáveis' com a comunidade LGBT. "A gente acaba se isolando, não vai parar em nenhum lugar que acha que vai ser preconceituoso com a gente. Já havia ido ao Resenha antes e tinha sido bem agradável", diz.

A jovem diz que as amigas ainda avaliam se vão registrar ocorrência na polícia por homofobia. Enquanto isso, usuários organizam um 'beijaço' a ser realizado no local. O dono do bar afirma não ser homofóbico e diz que estimula a realização do evento no estabelecimento. "Tenho funcionários que são gays, não tenho nenhum problema com isso", diz. Em nota, ele diz ser um "absurdo" que situações do tipo ainda aconteçam.
 
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