SP terá abrigo exclusivo para travestis e transexuais, segundo coordenador LGBT

Centro de acolhida será primeiro do gênero no Brasil, diz Prefeitura. Tempo máximo de permanência no espaço é de dois anos.

Publicado em 29/06/15 às 23:34

Do Gay1*

Foto: Tatiana Santiago

Transexual Aline Marques relata violência sofrida por causa do preconceito e diz que abrigo será um grande avanço.
A cidade de São Paulo irá ganhar no mês de agosto o primeiro abrigo destinado para travestis e transexuais. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (29) por Alexandro Melchior, coordenador de políticas LGBT da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, durante a inauguração da primeira unidade móvel que irá orientar o público LGBT.

"Eu acho que é um grande avanço para São Paulo. Isso é mais uma vitória para conscientizar as pessoas que estamos aí. Nós GLBT precisamos de uma assistência, a morte do GLBT não é uma morte natural como das outras pessoas, mas é uma morte com ódio e preconceito e isso precisa acabar", afirmou Aline Marques, de 37 anos, que diz que passou parte da vida se prostituindo por falta de oportunidades. Agora, ela participa do programa da Prefeitura que dá bolsas de estudo para travestis e transexuais estudarem.

O imóvel que irá receber o abrigo está localizado no bairro Bom Retiro, no Centro da capital paulista. O local, que está passando por reforma, terá capacidade para abrigar 30 pessoas.

"Ele será o primeiro do gênero no Brasil", afirmou Melchior.

"Em outubro do ano passado, a gente inaugurou uns quartos LGBT na Zaki Narchi, foram os primeiros espaços de acolhida LGBT no Brasil e tem demanda. Então a gente tinha um projeto de criar um exclusivo".

Para concorrer a uma vaga, as pessoas interessadas devem passar por uma triagem na Assistência Social. "A prioridade das vagas no abrigo é para as pessoas do Transcidadania", disse.

Bolsas de estudo
A Prefeitura de São Paulo oferece bolsas de R$ 840 para travestis e transexuais completarem seus estudos ou fazerem cursos profissionalizantes.

As medidas fazem parte do programa Transcidadania, que será lançado pela Prefeitura ainda neste mês. A ideia é atender inicialmente cem pessoas, mas ampliar o programa no segundo semestre. Das cem primeiras bolsas, a taxa de desistência foi de apenas 3%.

O investimento total previsto é de R$ 2 milhões para 2015. A bolsa de R$ 840 será oferecida por um período de dois anos, e as pessoas participantes terão que comprovar presença nas aulas para receber o valor.

* Com informações do G1
 
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