Transexual adota novo gênero e nome no RG após um ano de burocracia

"Agora sou uma mulher de verdade", disse Cibely, ao retirar o novo documento no Poupatempo Sé, em São Paulo.

Publicado em 25/09/15 às 16:21

Do Gay1 SP

Cibely conseguiu tirar uma nova carteira de identidade.

Foto: Divulgação/Natália Souza de Lima

Cibely conseguiu tirar uma nova carteira de identidade.
Depois de mais de um ano de burocracia, Cibely Christina Batista Ferreira, 30, conseguiu tirar uma nova carteira de identidade. Não se trata apenas de uma segunda via, mas de uma atualização com novo nome e gênero. "Agora sou uma mulher de verdade", disse Cibely, ao retirar o novo documento no Poupatempo Sé, em São Paulo.

Desde a infância, vivida em Barro, município do Ceará, Cibely se sentia mulher. Com toda razão, ela não revela o nome antigo "nem morta". "É um passado que prefiro esquecer, pois sofri muito sem poder ser eu mesma, enfrentando situações de imenso constrangimento."

Após assumir a nova identidade, na idade adulta, continuou a enfrentar preconceito quando precisava mostrar o RG com o nome masculino. Com a ajuda de advogados voluntários do Centro de Referência Trans, da Secretaria de Saúde de São Paulo, Cibely trilhou um longo caminho até conseguir um documento com a identidade que sempre sonhou.

"Agora posso voltar a estudar, sem o risco de sofrer bullying na hora da chamada. Vou tirar uma nova carteira de trabalho e voltar ao mercado", falou Cibely, que trabalhou até recentemente como monitora de qualidade de uma empresa de call center.

Aos que também querem mudar o nome no registro civil, ela recomenda coragem e disposição para vencer a luta. "São inúmeras certidões para pedir em cartórios, muitos documentos e taxas, mas vale a pena para quem quer se sentir verdadeiramente feliz com a própria identidade."

"Recebi o apoio total da minha família, que me ajudou a conseguir os documentos. O apoio dos familiares e dos amigos é importante, mas, acima de tudo, o que conta é o sentimento e a liberdade de escolha do ser humano. Agora ajudo uma amiga que também sonha em oficializar sua nova identidade. O documento deve se adequar à pessoa, e não o contrário."
 
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