Pedido em vagão do metrô esquenta debate sobre casamento igualitário na China

Nas mídias sociais, chineses se manifestam sobre episódio que ilustra particularidades da discussão sobre direitos LGBT no país.

Publicado em 02/10/15 às 16:46

Da BBC

Foto: Weibo / Bai Yiyan Vina

No interior do trem, um rapaz se ajoelha e pede para que passageiros sirvam de testemunhas.
Um pedido de casamento provocou intenso debate nas mídias sociais na China. Isso porque foi feito de um homem para outro.

O local não parecia ser o mais romântico do mundo para se fazer "a" pergunta, mas quando um homem se ajoelhou diante de seu namorado no interior de um vagão do metrô de Pequim, passageiros sacaram seus smartphones para gravar o evento.

Milhares de usuários do Weibo, a principal ferramenta de mídia social chinesa, vêm mencionando o episódio. Um vídeo foi postado pelo usuário Bai Yiyan Vina.

"Estava, como de hábito, pegando o trem para casa, mas encontrei de forma inesperada um casal apaixonado. Foi incrível!"

Os dois homens não poderão se casar na China. A legislação do país não prevê uniões do mesmo sexo, mas casais chineses já viajaram para se casar nos EUA, incluindo sete deles que ganharam um concurso promovido pelo gigante do varejo online Alibaba.

E, embora alguns passageiros no metrô tenham gritado palavras de ordem contra o casal, a maioria dos comentários no Weibo mostrava apoio ao romântico pedido.

"Aos que chamaram (o episódio) de nojento: vocês não são qualificados para julgar os outros", foi um comentário curtido mais de 600 vezes. Outro post popular elogiou o casal pela coragem de expressar seus sentimentos.



Em julho, a decisão da Corte Suprema dos Estados Unidos de legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo teve grande repercussão na China. Mas os dois países têm dinâmicas bem diferentes na abordagem política na questão dos direitos das minorias sexuais, de acordo com Timothy Hildebrandt, professor do departamento de Ciências Sociais da London School of Economics e estudioso do movimento LGBT na China.

"Nos EUA, as divisões sobre o assunto têm caráter religioso. Na China, se as pessoas são homofóbicas, isso não faz parte de uma doutrina", explica Hildebrandt.

O professor explica que as atitudes dos chineses em relação aos direitos LGBT variam imensamente. Há desde os que jamais encontraram uma pessoa assumida ou transexual e sequer saibam o que é a homossexualidade aos que acreditam que ela não existe na China. Ao mesmo tempo, porém, há o crescimento da aceitação de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais em áreas urbanas.

Em 2001, a homossexualidade foi removida da lista de doenças mentais da Associação Chinesa de Psiquiatria. Campanhas de prevenção ao HIV ofereceram aos grupos LGBT chances de falar sobre seus problemas. Mas Hildebrandt ressalta que os efeitos da "política do filho único" chinesa - que durante décadas multou casais que tivessem mais de uma criança - aumentaram a pressão sobre filhos únicos.

Segundo Hildebrandt, muitos pais veem o fato de seu filho único ser gay como o fim do sonho de terem netos. "É uma pressão desproporcional sobre gays. Mas as atitudes estão mudando, assim como no resto do mundo. Por meio de mídia sociais, as pessoas na China estão aprendendo sobre direitos LGBT", completa.
 
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