França muda regras para permitir doação de sangue por gays, homens bi e trans

Desde 1983 país proibia a doação alegando risco de HIV. Abertura será feita em etapas e algumas restrições serão mantidas.

Publicado em 04/11/15 às 15:15

Da EFE

França muda regras para permitir doação de sangue por gays, homens bi e trans

Foto: AP

Imagem de arquivo mostra coleta de sangue em centro de doação.
A França permitirá que gays, homens bi e trans doem sangue a partir de 2016, sob determinadas condições, indicou a ministra da Saúde, Marisol Touraine. "A partir da primavera de 2016 ninguém poderá ser excluído da doação de sangue por causa de sua orientação sexual, mas a segurança das pessoas que recebem a transfusão deve ser absolutamente respeitada", indicou Touraine em entrevista publicada nesta quarta-feira (4) pelo "Le Monde".

A França proibia desde 1983 a doação de sangue por gays, homens bi e trans alegando suposta causa de riscos de contaminação pelo HIV.

A ministra assinalou que a abertura da doação será feita por etapas. Em um primeiro momento, a doação será permitida aos gays, homens bi e trans que não tenham tido relações sexuais com outros homens em um ano.

Os gays, homens bi e trans poderão doar seu plasma sempre e quando tiverem uma relação estável há quatro meses ou se nesse período não tiverem feito sexo.

A análise dessas primeiras doações "nos permitirão realizar estudos e, se não houver riscos, as regras que serão aplicadas aos homossexuais irão se aproximando das regras gerais ao longo do ano seguinte", explicou Touraine.

Algumas restrições serão mantidas
Com estas restrições que serão mantidas quanto à doação de gays, homens bi e trans, o Ministério pretende reduzir os riscos de contaminação pelo HIV. Além disso, pretende enfrentar a chamada "janela silenciosa", os dez dias nos quais o vírus é indetectável no sangue.

A ministra indicou que os questionários que os doadores devem preencher antes de doar sangue serão modificados para detalhar as condições que devem ser cumpridas por gays, homens bi e trans, assim como por heterossexuais que tenham práticas de risco, como relações com profissionais do sexo, assinalou.

Touraine havia se mostrado desde o início da legislatura favorável a abrir a doação de sangue aos gays, homens bi e trans, mas em um primeiro momento indicou que não havia condições para fazê-lo.

No início deste ano, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) aprovou as proibições contidas na lei francesa de doação de sangue "sempre e quando estivessem justificadas".

Mais 21 mil doadores
Mas o presidente francês, François Hollande, tinha se comprometido durante a campanha eleitoral a acabar com este veto, e para isso orientou Touraine a montar um comitê ético para estudar as possibilidades de modificar a lei.

Segundo os cálculos oficiais, com a abertura das doações aos gays, homens bi e trans haverá 21 mil novos doadores por ano em um país que precisa de 10 mil doações diárias.

As associações de direitos LGBT consideraram esta abertura um passo à frente, mas mostraram o desejo de que toda discriminação seja eliminada.

No Brasil
No Brasil, a portaria que define as regras para a doação de sangue - a Portaria 2.712, de 12 de novembro de 2013 - define como impeditivo temporário para a doação de sangue "situações ou comportamentos que levem a risco acrescido para infecções sexualmente transmissíveis". Estão impedidos de doarem sangue, por exemplo, "homens que tiveram relações sexuais com outros homens e/ou as parceiras sexuais destes".

A portaria cita que os serviços de hemoterapia devem fazer a triagem clínica dos candidatos à doação "com isenção de manifestações de juízo de valor, preconceito e discriminação por orientação sexual, identidade de gênero, hábitos de vida, atividade profissional, condição socioeconômica, cor ou etnia, dentre outras".
 
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