Igreja transforma vida de LGBTs em "inferno", diz padre que saiu do armário

Krzysztof Charamsa revelou à rede britânica BBC uma cópia da carta de renúncia que entregou ao papa Francisco.

Publicado em 04/11/15 às 17:43

Com agências internacionais

Foto: Getty

O padre Krzysztof Charamsa e seu companheiro, Eduard.
O padre polonês que se saiu do armário no início do mês de outubro, às vésperas do Sínodo do Vaticano, revelou à rede britânica BBC uma cópia da carta de renúncia que entregou ao papa Francisco.

Na carta, Krzysztof Charamsa acusa a Igreja Católica de transformar a vida de milhares de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais católicos em um "inferno".

Diz ainda que a igreja é hipócrita ao não permitir padres gays ou bissexuais já que clero é "cheio de homossexuais".

Charamsa fazia parte da Congregação para a Doutrina da Fé, quando fez sua revelação, perdendo imediatamente o cargo. Em uma coletiva em um restaurante em Roma, o monsenhor declarou que era gay e que tinha um companheiro.

O Vaticano afirmou que a declaração do padre havia sido "irresponsável, já que visava colocar pressão da mídia sobre o Sínodo".

Além disso, Charamsa foi demitido das duas universidades católicas em que dava aulas, em Roma, e suspenso das funções de padre pelo bispado da Polônia. Com isso, não poderá celebrar a Santa Missa, administrar os sacramentos ou usar a batina.

Segundo a BBC, o papa Francisco ainda não respondeu à carta de renúncia de Charamsa.

Esta não foi a primeira vez que o polonês teceu críticas duras à Igreja Católica depois de ter saído do armário.

Em entrevista à BBC Brasil, ele afirmou que a igreja é "homofóbica, cheia de medo e de ódio". Na ocasião, ele tornou público seu "Manifesto de liberação gay", no qual pede o fim da discriminação de pessoas LGBT por parte da Igreja Católica.
 
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