Polícia diz apurar falta de nome social de transexual agredida por 20 em SP

Em nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública informa que a ausência do nome social de Melissa no boletim está sendo apurada.

Publicado em 17/02/16 às 23:27

Do Gay1 SP

Polícia diz apurar falta de nome social de transexual agredida por 20 em SP

Foto: Reprodução/Facebook

Melissa Hudson, de 22 anos, foi espancada na madrugada de domingo, na rua Augusta.
Uma transexual de 22 anos foi agredida por um grupo de 20 pessoas, na madrugada do último domingo, na rua Augusta, ponto de São Paulo com a vida noturna muito movimentada. A maquiadora Melissa Hudson estava acompanhada de algumas amigas quando foi atingida por uma garrafa na nuca, repentinamente. Única a não conseguir escapar dos agressores, Melissa foi derrubada no chão, levou chutes e socos em sequência, e teve roubados seu celular e documentos que estavam em sua bolsa.

Polícia diz apurar falta de nome social de transexual agredida por 20 em SP

Foto: Reprodução/Facebook

Melissa estava acompanhada de algumas amigas, que conseguiram escapar.
Após o ataque, a maquiadora correu até um carro da Polícia Militar e foi levada a um Pronto-Socorro para cuidar de escoriações no rosto e no corpo. Em tempo: foram rompidos os pontos de uma cirurgia de feminilização facial que Melissa havia feito em dezembro.

Registrado inicialmente no 78º DP (Jardins), o caso está sendo investigado pelo 4º DP, responsável pela região onde ocorreu a agressão. No boletim, não consta o nome social da maquiadora, que foi tratada integralmente no masculino enquanto esteve na delegacia. Também não há qualquer menção sobre a possibilidade da agressão ter sido motivada por preconceito com a identidade de gênero da jovem. No registro, o caso foi anotado apenas como “roubo a transeunte”.

A ausência do nome social, aliás, contraria uma determinação anunciada pelo governador de São Paulo em novembro, quando foi decidido que os registros passariam a ter “espaços para o preenchimento do nome social e para a inserção da motivação do crime, caso ele seja decorrente da orientação sexual ou identidade de gênero da vítima”.

Em nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informa que a ausência do nome social de Melissa no boletim está sendo apurada: “A Polícia Civil informa que a ocorrência foi registrada como roubo, pois este é o crime mais grave cometido no caso. Além disso, a agressão é relatada no boletim de ocorrência. Foi requisitado exame de corpo de delito da vítima. O caso está sendo investigado pelo 4º DP (Consolação), distrito responsável pela região dos fatos. A Polícia Civil esclarece que a falta do nome social da vítima no boletim de ocorrência será apurada”.

Em entrevista ao site EXTRA, Melissa contou detalhes sobre o ataque. "Eram 4h30 quando recebi uma garrafada do nada. Lembro de ter caído no chão e ter ouvido xingamentos, como 'traveco nojento'. Fui salva por um homem desconhecido, que ajudou a afastar as pessoas de mim. E, apesar de não conhecer quem me agrediu, sei que eram homossexuais"
 
Encontre-nos no Google+